Startup Bluebird tenta cancelar o registro do nome e lançar uma nova plataforma usando a antiga identidade da rede social

Gabriela Nogueira Publicado em 18/12/2025, às 14h01
A briga pelo nome Twitter ganhou um novo capítulo nos Estados Unidos. A startup Bluebird afirma ter respaldo legal para usar a marca que deu origem a uma das redes sociais mais populares do mundo e promete levar o embate contra a X Corp, empresa controlada por Elon Musk, até as últimas instâncias da Justiça.
O confronto se intensificou após a X Corp entrar com uma ação judicial para impedir que a Bluebird registre o nome Twitter. O processo foi protocolado nesta terça-feira (16) em um tribunal federal no estado de Delaware e busca barrar qualquer tentativa da startup de retomar a marca que hoje está associada à antiga identidade da plataforma.
A Bluebird sustenta que a X Corp abriu mão do nome ao rebatizar oficialmente a rede social como X. Com base nesse entendimento, a startup entrou em dezembro do ano passado com um pedido para cancelar o registro da marca Twitter junto ao órgão responsável por patentes e marcas nos Estados Unidos. A intenção é lançar uma nova rede social com o endereço twitter.new, apresentada como uma concorrente direta da atual plataforma de Musk.
Desde a compra do Twitter, em 2022, por cerca de 44 bilhões de dólares, Elon Musk tem reforçado publicamente o rompimento com a antiga marca. O empresário declarou em diferentes ocasiões que o projeto X representa uma nova fase da empresa, distante do nome, do logotipo e da identidade visual associada ao pássaro azul.
A X Corp, porém, rejeita qualquer argumento de abandono. No processo, a empresa afirma que o nome Twitter segue ativo, relevante e amplamente reconhecido. Segundo a defesa, milhões de usuários ainda acessam o serviço por meio do endereço twitter.com e continuam se referindo à plataforma pelo nome antigo, o que reforçaria a força comercial da marca.
A companhia também alega que permitir o uso do nome por outra empresa pode gerar confusão entre consumidores e prejudicar seus direitos de propriedade intelectual. Por isso, pede que a Justiça impeça a iniciativa da Bluebird e solicita indenização, sem detalhar valores.
Do outro lado, o fundador da Bluebird, Michael Peroff, afirma que o pedido de cancelamento da marca está amparado em regras consolidadas do direito marcário. Segundo ele, a mudança deliberada de identidade feita pela X abre espaço para que terceiros reivindiquem o nome. A startup conta ainda com o apoio de Stephen Coates, ex-advogado especializado em marcas do próprio Twitter, que hoje atua como consultor do novo projeto.
O caso deve se tornar um dos principais embates jurídicos envolvendo a reestruturação da antiga rede social e pode definir se o nome Twitter ainda pertence, de fato, ao império de Elon Musk ou se ficará livre para uma nova disputa no mercado digital.
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