Durante o Mês do Orgulho, debate sobre a assexualidade ganhou espaço e desmistificou preconceitos

Manoela Cardozo Publicado em 14/06/2025, às 10h58
Durante o mês de junho, período em que se celebra o Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, uma pauta que tem chamado a atenção é a realidade das pessoas assexuais — grupo ainda pouco representado nos meios de comunicação e frequentemente invisibilizado na sociedade.
O tema ganhou destaque recentemente no remake da novela Vale Tudo, quando o personagem Poliana, interpretado por Matheus Nachtergaele, revelou em cena ser assexual durante uma conversa com sua irmã Aldeíde, vivida por Karine Teles. O momento repercutiu durante a semana e foi apontado como um avanço no debate público sobre a orientação.
Sanna Hara, designer gráfico, pessoa não binária e integrante do Coletivo de Assexuais, explicou que a assexualidade é caracterizada pela ausência de atração sexual. Essa ausência pode ser total — como no caso de pessoas assexuais estritas, que nunca sentem esse tipo de atração — ou parcial e condicional. “A invisibilidade assexual acarreta problemas que vão além do campo pessoal identitário, pois atingem esferas sociais, acesso à saúde e de direitos básicos”, comenta.
Sanna detalha situações vividas por pessoas assexuais por conta da falta de informação e preconceito. “Inúmeras pessoas assexuais lidam com hormonização compulsória com intenção de aumento de libido.”
“Tratamentos psicológicos e psiquiátricos para tratar a falta de atração sexual”. “Há muitos relatos de pessoas assexuais que têm alguns exames de prevenção de doenças negados quando informam que são assexuais, o que faz com que muitas dessas pessoas ocultem esta informação para terem acesso ao básico”. “Casos de depressão de assexuais que não se veem parte do sistema regular de saúde e acabam se fechando a tratamentos de saúde mental e física”.
“Os exemplos acima vão erroneamente em busca de uma ‘cura assexual’, algo que não existe quando se entende que assexualidade não é uma patologia”, salienta. “Em outros âmbitos, a falta de compreensão do que é assexualidade pode trazer eventos traumáticos irreparáveis, como o ‘estupro corretivo’, quando alguém tenta ‘curar’ a assexualidade de alguém por meio de sexo forçado”.
A ativista também chama atenção para a diferença entre atração sexual e romântica. “Algumas pessoas assexuais podem sentir atração romântica e portanto demonstrarem afeto da forma que lhes for confortável, pois isso é algo que varia de acordo com a personalidade de cada ser. Prática sexual é diferente de atração sexual, então eu posso simplesmente transar sem necessariamente ter atração por alguém”.
Ela finaliza explicando que, por outro lado, uma pessoa pode se apaixonar sem ter qualquer desejo sexual. “Entender que atração sexual está sempre vinculada à atração romântica me parece prejudicial tanto ao dito romance quanto ao sexo em si”, acrescenta.
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