Entenda como a farsa da gravidez de quadrigêmeas mobilizou a mídia e a sociedade

Manoela Cardozo Publicado em 25/02/2025, às 13h47
Treze anos após a polêmica que a tornou conhecida como “Grávida de Taubaté”, a pedagoga Maria Verônica Santos quebrou o silêncio e deu sua primeira entrevista neste domingo (23). Em conversa com o programa Domingo Legal, do SBT, ela revelou que foi influenciada por uma seita a acreditar que estava grávida, mesmo sem possibilidade médica para isso.
De acordo com Maria Verônica, a família do marido — que seria o pai das supostas crianças — fazia parte do grupo religioso e a convidou para participar. Durante os rituais, ela foi convencida de que conseguiria engravidar mesmo com o marido sendo vasectomizado. “Eu fui participando [da seita] e entendi que não era o que eu achava que fosse. Foi a minha vida durante sete anos”, afirmou.
Ela contou que, em um dos rituais, precisou escrever seu desejo de engravidar em um pedaço de papel, que foi molhado em bebida, mastigado e engolido pelos integrantes. Após o procedimento, começou a sentir sintomas de gravidez e sua barriga cresceu, algo que ela hoje acredita ter sido resultado de uma gravidez psicológica. “Acreditava que a força que eles tinham me mostrado poderia fazer com que a gravidez acontecesse e que eles eram capazes de reverter a vasectomia”, disse.
Durante o tempo em que sustentou a farsa, Maria Verônica aparecia em programas de televisão e usava panos para simular a barriga de grávida. Segundo ela, era orientada pelos membros da seita a afirmar que esperava quadrigêmeas e que, na realidade, acreditava estar gerando “quatro demônios”.
A pedagoga também revelou que sofria ameaças do grupo. Ela narrou um episódio em que integrantes da seita invadiram sua casa à noite e arrombaram a porta do banheiro onde estava escondida. “Tinha medo de ser sacrificada”, afirmou.
Quando a farsa foi descoberta, Maria Verônica contou que o marido ficou muito abalado. Segundo ela, ele não desconfiava da mentira e nunca foi cúmplice. “Como se eles [a família do marido] já soubessem que os bebês não existiam”, refletiu.
No final de janeiro, Maria Verônica reapareceu nas redes sociais para explicar sua versão da história. Ela afirmou que está tentando recuperar sua verdadeira identidade. “Muitas pessoas me conhecem como a Grávida de Taubaté, mas agora quero ser conhecida como Maria Verônica”, declarou.
Na época da polêmica, a pedagoga mobilizou a mídia ao afirmar que estava grávida de quadrigêmeas, um caso raro na medicina. Ela recebeu diversas doações, incluindo um quarto mobiliado, fraldas e outros itens arrecadados por um programa de TV. Os bebês chegaram até a ganhar nomes: Maria Clara, Maria Vitória, Maria Fernanda e Maria Eduarda. Para sustentar a mentira, Maria Verônica usou exames de ultrassom falsificados, encontrados na internet e editados para parecerem autênticos.
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