onhecida como Cinelândia paulistana, área chegou a ter 30 cinemas em operação nos anos 1960, mas muitos foram desativados e viraram estacionamentos

G1 Publicado em 22/07/2022, às 08h28
Quem passa na rua imagina que mais um bar moderninho abriu no Centro de São Paulo. No entanto, uma rampa na entrada do imóvel na Rua Araújo conduz o visitante até o subsolo em que um novo inquilino se instalou: um cinema, onde antes havia um estacionamento.
A inauguração do Cortina Cineclube, na próxima terça-feira (26), marca o retorno dos cinemas de rua a uma região na qual, no passado, eles eram a principal atração. Em toda a cidade, este tipo de sala está em declínio: na Rua Augusta, um cinema que existe há quase 30 anos foi fechado para dar lugar a um novo prédio, por exemplo.
A área do centro onde o Cortina se instalou chegou a ser conhecida como a Cinelândia paulistana, pelo grande número de salas de cinema que abrigava nas décadas de 1930 a 1950. Com a deterioração da região, essas salas viraram igrejas, cinemas pornô e estacionamentos.
“Ao transformar um estacionamento em um cinema, estamos fazendo um movimento contrário do que tá acontecendo no Centro. Isso é muito gratificante”, avalia o sócio Marcelo Sarti.
“Rola essa inspiração de tentar trazer de volta um pouco dessa aura do cinema de rua aqui do Centro, que se perdeu. Essas iniciativas só contribuem para deixar o Centro mais legal, nesse movimento de retomada. É uma região que tem um problema de segurança supercomplicado, mas é esse tipo de iniciativa que dá mais tranquilidade para as pessoas circularem por aqui”, acredita Sarti.
A programação cinematográfica, que ficou a cargo da curadora Letícia Santinon, deve mudar a cada 15 dias e priorizar filmes que não estão em cartaz no circuito paulistano.
“A principal diferença da programação é não ter a obrigatoriedade de escolher filmes que estão em cartaz. A programação terá só um filme que está em cartaz: todos os outros são propostos de forma independente da lógica dos cinemas, que passam exclusivamente as novidades”, diz outro sócio, Paulo Vidiz.
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