Metade dos professores brasileiros não recomenda a própria profissão por considerá-la desvalorizada, de acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira

Redação Publicado em 31/07/2018, às 00h00 - Atualizado às 16h55
Metade dos professores brasileiros não recomenda a própria profissão por considerá-la desvalorizada, de acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira (30). Os dados são da pesquisa “Profissão Docente”, iniciativa do Todos Pela Educação e do Itaú Social realizada pelo Ibope Inteligência em parceria com a Conhecimento Social.
O levantamento entrevistou 2.160 professores da Educação Básica das redes públicas municipais e estaduais e da rede privada de todo o país. A amostra respeitou ainda a proporção de docentes em cada rede, etapa de ensino e região do País, segundo os dados do Censo Escolar da Educação Básica (MEC/Inep).
“Mais do que desafios, os resultados da pesquisa revelam oportunidades para a valorização docente que são factíveis e podem ser alcançadas em um período de curto e médio prazo, uma vez que a Educação seja, de fato, prioridade na gestão, e o professor seja entendido como ator central de um projeto de educação”, afirma Priscila.
De acordo com a pesquisa, dois terços dos entrevistados são mulheres, com média de 43 anos de idade e 17 de carreira.
De acordo com o estudo, os fatores de decisão pela carreira indicam principalmente uma escolha consciente, relacionada mais ao prazer por ensinar e transmitir conhecimento, mas para pouco mais de um terço dos entrevistados foi também uma questão de falta de outras opções.
Entre os entrevistados, 49% dos entrevistados “certamente não recomendariam” a profissão para um jovem. Entre algumas das palavras mais usadas pelos professores para as razões de recomendação ou não da profissão docente, se destacam as relacionadas à não recomendação, como a valorização, o salário e o reconhecimento.
Segundo a pesquisa, os professores entendem que é papel da Secretaria de Educação oferecer oportunidades de formação continuada (76%), mas não concordam que os programas educacionais como um todo estão bem alinhados à realidade da escola (66%). Apontam ainda que falta um bom canal de comunicação entre a gestão e os docentes (64%), e que não há envolvimento dos professores nas decisões relacionadas a políticas públicas (72%). Também consideram aspectos ligados à carreira mal atendidos, como o apoio à questões de saúde e psicológicas (84%), e o salário (73%).
Em média, a renda pessoal verificada foi de R$ 4.581,40 (4,8 salários mínimos). Ainda segundo o levantamento, quase um terço dos professores afirmaram realizar algum tipo de atividade para complementar sua renda, principalmente na rede particular e no ensino médio. Em média, o incremento na renda é de R$ 439,72.
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