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Suspensão de concurso

Justiça mantém suspenso concurso da USP para docente de literaturas africanas

Processo seletivo da FFLCH segue paralisado até decisão final sobre ação que questiona anulação do resultado

Direção da FFLCH da USP informa que o concurso foi reaberto, mas espera que Erica se inscreva novamente após a suspensão - Imagem: Divulgação/Universidade de São Paulo
Direção da FFLCH da USP informa que o concurso foi reaberto, mas espera que Erica se inscreva novamente após a suspensão - Imagem: Divulgação/Universidade de São Paulo

Letícia Sales Publicado em 05/03/2026, às 14h20


A 10ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decidiu manter suspenso o concurso público da Universidade de São Paulo (USP) para professor de literaturas africanas de língua portuguesa. O certame, realizado em junho de 2024 pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), permanecerá interrompido até o julgamento definitivo da ação que discute a legalidade da anulação do resultado.

A seleção havia sido vencida pela professora Erica Bispo, mas acabou invalidada após recursos apresentados por outros candidatos. Os concorrentes acionaram o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a própria universidade questionando a qualificação da candidata aprovada. Em resposta, Erica denunciou que a interrupção do processo teria motivações racistas.

Relator do caso no TJSP, o desembargador Marcelo Semer avaliou que permitir a continuidade do processo ou a realização de um novo concurso neste momento poderia gerar prejuízos administrativos e financeiros.

“O preenchimento definitivo da vaga pode dificultar o proveito que se busca com o pleito judicial”, destacou o magistrado ao justificar a decisão de manter a suspensão até o desfecho do processo.

A defesa da professora também criticou a possibilidade de abertura de um novo edital para a mesma vaga. Segundo os advogados, a medida seria injusta com a candidata que já havia sido aprovada na seleção original.

O Tribunal foi sensível ao fato de que nem o Ministério Público nem a própria FFLCH reconheceram as alegadas irregularidades”, avaliou o advogado Raphael Naves.

Ele acrescentou: “Realizar um novo concurso para a exata mesma vaga seria uma profunda injustiça. A suspensão do certame protege o mérito acadêmico validamente conquistado pela professora Érica, que foi aferido por cinco examinadores no concurso público por ela vencido”, completou Carlos Barbosa, também integrante da defesa.

O que diz a USP

Em manifestação anterior, o diretor da FFLCH, Adrián Pablo Fanjul, explicou que o resultado do concurso chegou a ser homologado, mas acabou contestado por outros candidatos em instância superior da universidade, o Conselho Universitário.

Esse órgão superior, que é o máximo da universidade, anulou o concurso porque considerou que havia indícios de relações de proximidade da candidata aprovada e indicada com pessoas integrantes da banca. Essa conclusão teve embasamento em postagens em redes sociais em que, além de fotos, havia expressões de amizade”, enfatizou o texto.

Segundo a direção da faculdade, o processo de contratação de Erica chegou a ser iniciado, mas foi cancelado após a decisão do conselho.

O motivo foi a ponderação sobre o relacionamento que as postagens em redes sociais mostram. Sendo uma decisão do Conselho Universitário, a FFLCH não tem como reverter, tem que ser revertida na Justiça”, ressaltou.

A universidade informou ainda que, no momento da inscrição para o concurso original, três candidatos se autodeclararam negros. No entanto, apenas Erica Bispo compareceu para realizar as provas.

“O concurso foi reaberto, as inscrições estão em andamento, e a direção da FFLCH espera que Erica se inscreva”, finalizou a faculdade.


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