Copom manteve sua postura das reuniões anteriores, buscando preservar a credibilidade das decisões, mas também respondeu às críticas constantes de Lula e seus aliados

Marina Roveda Publicado em 04/05/2023, às 08h34
Na quarta-feira (03), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. Essa decisão era esperada por economistas que acreditam que um processo de desinflaçãosó começará no segundo semestre do ano. O comitê justifica sua decisão citando episódios envolvendo bancos estrangeiros que aumentaram a incerteza e que a inflação do consumidor permanece acima da faixa compatível com a realização da meta. O comitê acrescenta que a reintegração dos combustíveis e a apresentação da proposta de quadro fiscal reduziram parte da incerteza decorrente da política fiscal, mas o desacoplamento das expectativas de longo prazo eleva o custo da desinflação necessária para alcançar as metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.
Segundo economistas consultados pela Jovem Pan, o comitê aproveitou o novo anúncio para criticar o governo, na tentativa de interromper as críticas constantes em relação à condução da política monetária. O grupo enfatiza a necessidade de cautela e que o processo de desinflação tende a ser mais lento quando as expectativas estão desacopladas. A cautela da organização se deve a uma precaução para evitar um corte de taxa que precise ser revertido logo em seguida.
Para Raphael Vieira, co-chefe de investimentos da Arton Advisors, a declaração do Copom seguiu o tom mais agressivo (hawkish) da reunião anterior, apontando os riscos existentes para a convergência da inflação. "O comitê afirma até mesmo que não há relação mecânica entre a convergência da inflação e a aprovação do quadro fiscal, enviando uma mensagem ao governo federal. Ao mesmo tempo, pede paciência e serenidade na condução da política monetária.
Por fim, não retira a ênfase em "não hesitar em retomar o ciclo de ajuste se o processo de desinflação não avançar como esperado. Vale ressaltar que não havia expectativa no mercado de taxa de juros para um corte para esta reunião", diz ele. O economista e sócio da SuperRico, Jayme Carvalho, acredita que a declaração "veio um pouco mais dura do que o mercado esperava." Ao contrário da expectativa de taxas de juros futuras, que apresentam uma queda para entre 10 e 11% no final do ano, o Banco Central veio em um tom mais forte, retirando alguns dos sinais de que havia um risco fiscal. Isso mostra que o Banco Central vê o quadro que foi criado como positivo e vai para o Congresso.
No entanto, o Banco Centralnão sinalizou um corte de taxa agora, para as próximas reuniões, e deixou claro que isso depende da queda da inflação. E agora o cenário está bastante aberto no sentido de que o Banco Central está mais confiante, mas ainda espera que a queda nas expectativas de inflação comece a cortar as taxas", diz ele.
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