Aumento foi aprovado para oito distribuidoras e reflete alta nos custos de transmissão, encargos e compra de energia no país

Erika Osti Publicado em 22/04/2026, às 17h06
A conta de luz vai pesar mais no bolso de milhões de brasileiros nas próximas semanas. A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou, nesta quarta-feira (22), reajustes tarifários para oito distribuidoras que atendem cerca de 22 milhões de consumidores em diferentes regiões do país. Em São Paulo, onde estão algumas das maiores concessões, os aumentos chamam atenção e devem impactar diretamente famílias e empresas já a partir dos próximos ciclos de faturamento.
Os novos valores variam conforme a concessionária e o tipo de consumo, mas seguem uma tendência clara de alta em 2026. Em áreas atendidas pela CPFL Paulista, por exemplo, o reajuste médio ultrapassa 12%, com impacto maior sobre consumidores de alta tensão, como indústrias, enquanto residências terão aumento próximo de dois dígitos. Já na CPFL Santa Cruz, também no interior paulista, a revisão tarifária resultou em alta média superior a 15%, com efeito ainda mais forte para clientes residenciais.
A decisão da Aneel ocorre em meio à ausência de medidas do governo federal para conter o avanço das tarifas. O Ministério de Minas e Energia chegou a indicar que apresentaria uma proposta para reduzir os custos, o que acabou não se concretizando antes da definição dos reajustes.
Segundo a agência, o aumento das tarifas é puxado principalmente pelos custos de transmissão de energia, pela compra de eletricidade e pelos encargos setoriais que são repassados aos consumidores. Esses componentes têm pressionado o sistema elétrico e explicam a retomada das altas após um 2025 marcado por reajustes mais moderados ou até quedas em algumas regiões.
Em outros estados, os percentuais também variam, mas seguem elevados. No Mato Grosso do Sul, o reajuste médio supera 12%, enquanto na Bahia, atendida pela Neoenergia Coelba, o aumento ficou abaixo de 6% após a antecipação de recursos que ajudaram a reduzir o impacto. No Ceará e no Rio Grande do Norte, as altas giram em torno de 5% a 6%, com efeitos mais intensos para grandes consumidores.
Especialistas do setor avaliam que o cenário atual marca o retorno da pressão tarifária no país. Além dos custos estruturais, fatores como condições hidrológicas menos favoráveis podem exigir o uso de fontes de geração mais caras, o que tende a encarecer ainda mais a energia ao longo do ano.
A própria Aneel já sinalizou que a tarifa média de energia pode subir cerca de 8% em 2026, acima da inflação projetada. Entre os principais motores dessa alta está a Conta de Desenvolvimento Energético, encargo que financia políticas públicas e subsídios no setor e que é pago diretamente na conta de luz.
Com os reajustes entrando em vigor conforme o calendário de cada distribuidora, a energia elétrica deve continuar entre os principais fatores de pressão sobre o custo de vida no país, especialmente em estados mais populosos como São Paulo.
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