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Sistema Financeiro

Bancos pressionam por medidas mais rígidas após crise do Master

Instituições querem elevar a contribuição de bancos menores e responsabilizar plataformas que vendem CDBs de alto risco

Bancos querem evitar que prejuízos voltem a ser divididos por todo o sistema. - Imagem: Reprodução/Agência Brasil.
Bancos querem evitar que prejuízos voltem a ser divididos por todo o sistema. - Imagem: Reprodução/Agência Brasil.

Erika Osti Publicado em 20/02/2026, às 18h28


Depois da crise que culminou na liquidação do Banco Master e abriu um rombo bilionário no Fundo Garantidor de Crédito, os grandes bancos brasileiros intensificaram negociações para endurecer as regras do setor e ampliar a responsabilidade de instituições financeiras menores com perfil de maior risco. As discussões envolvem o Banco Central e o próprio FGC, responsável por proteger depósitos e investimentos de clientes em caso de quebra bancária.

O movimento ganhou tração após a liquidação extrajudicial do Master, que também levou à quebra de outras três instituições. O impacto inicial no FGC é estimado em pelo menos R$ 51,8 bilhões, mas, entre executivos do mercado, o valor já é calculado em torno de R$ 60 bilhões. Para os grandes bancos, o episódio escancarou fragilidades do modelo atual, no qual operações mais agressivas acabam tendo o custo diluído por todo o sistema financeiro.

Alertas sobre o risco das operações do Master vinham sendo feitos desde 2024 por dirigentes do FGC e executivos de grandes instituições ao Banco Central. O controlador do banco, Daniel Vorcaro, sempre rebateu as críticas, classificando-as como reação dos concorrentes ao avanço da instituição. Com a liquidação, porém, a avaliação dos bancos de maior porte ganhou peso nas discussões sobre mudanças regulatórias.

A principal frente em debate parte do princípio de que instituições que assumem mais risco devem contribuir proporcionalmente mais para o FGC. Na visão de executivos, o modelo atual de contribuições ainda não cria desincentivos suficientes para estratégias mais arrojadas, o que mantém a tomada de risco como uma operação financeiramente vantajosa para parte dos bancos menores.

Outro ponto sensível envolve as plataformas de investimento que distribuem CDBs dessas instituições. Os grandes bancos defendem que essas empresas passem a ter maior corresponsabilidade, já que hoje recebem comissões elevadas sem assumir exposição direta ao risco. Entre as propostas em análise estão o aumento das contribuições dessas plataformas ao FGC e a criação de um mecanismo de certificação que deixe mais explícito ao investidor quando o produto oferecido apresenta maior risco.

As medidas ainda estão em fase de negociação com o Banco Central e, se avançarem, podem provocar mudanças relevantes na dinâmica do sistema financeiro, com o objetivo de reduzir a chance de novos episódios com potencial de contágio no mercado.


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