As últimas 11 ararinhas-azuis repatriadas da Europa foram contaminadas por um vírus incurável e considerado mortal

William Oliveira Publicado em 27/11/2025, às 12h27
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informou que as últimas 11 ararinhas-azuis encontradas na natureza foram contaminadas por um vírus mortal e incurável. A espécie, considerada uma das mais raras do planeta, está oficialmente extinta em seu habitat natural desde 2020.
As aves, repatriadas da Europa, estavam sob os cuidados da empresa Blue Sky, na Bahia, como parte de um programa de reintegração ao meio ambiente. Após uma ordem judicial contra a empresa, elas foram recapturadas em novembro e submetidas a exames que confirmaram a presença do circovírus em todos os indivíduos.
O circovírus é responsável pela “doença do bico e das penas”, que provoca alterações na plumagem, deformações no bico e mudanças na coloração das penas. A enfermidade é fatal na maioria dos casos e não possui tratamento, embora não represente risco para humanos.
O ICMBio ressaltou que a propagação da doença foi agravada pela falta de cuidados sanitários adequados nos viveiros. A empresa responsável foi multada em R$ 1,8 milhão, devido a viveiros sujos, comedouros contaminados e ausência de equipamentos de proteção individual para funcionários.
Ainda não se sabe a origem da infecção nas ararinhas-azuis. Apesar de rara na região, a doença é frequente em populações de psitacídeos na Austrália. Os animais permanecem sob os cuidados do ICMBio, sem perspectiva de retorno ao habitat natural.
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