Promotor Fernando dos Anjos arquivou inquérito de mais de R$ 50 mi envolvendo dois empresários acusados de crimes contra o próprio pai idoso, advogado pede ao chefe do MP de SP o desarquivamento para continuação das investigações policiais

por Marina Milani
Publicado em 05/04/2024, às 06h10
O promotor Fernando dos Anjos arquivou um inquérito que investigava um golpe de mais de R$ 50 milhões praticado pelos filhos de Ernesto Iannoni contra o próprio pai, gerando uma controvérsia sobre a condução do caso e a busca por justiça. A decisão, tomada em janeiro de 2024, surpreendeu muitos, uma vez que ocorreu antes mesmo da conclusão das investigações e da realização de uma perícia contábil pelo Instituto de Criminalística.
Em 2009, Ernesto Iannoni, fundador da renomada fabricante de cadeiras de escritório Flexform, foi vítima de um golpe financeiro planejado por seus próprios filhos, Pascoal e Marco Ianonni. Desde então, ele tem lutado incansavelmente na Justiça, enfrentando obstáculos legais que dificultam o avanço das investigações.
O inquérito policial, sob o número 1501963-78.2020.8.26.0224, foi aberto para investigar o caso, e o promotor Fernando dos Anjos determinou diversas diligências, incluindo depoimentos de testemunhas e uma perícia contábil. Em dezembro de 2023, o promotor reconheceu a gravidade das alegações de Ernesto e solicitou uma nova avaliação pelo Instituto de Criminalística para apurar possíveis crimes, incluindo associação criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes tributárias.
No entanto, em janeiro de 2024, sem novas provas substanciais que justificassem a alteração de sua posição, o promotor decidiu pelo arquivamento do inquérito. Esta decisão abrupta interrompeu a possibilidade de uma nova perícia e deixou muitas questões sem resposta, causando indignação na vítima e em seus representantes legais.
O promotor baseou seu parecer de arquivamento em uma perícia contábil que já estava nos autos desde novembro de 2023, levantando questionamentos sobre a consistência de sua decisão. Apesar de reconhecer um prejuízo superior a R$ 1 milhão, o promotor considerou essa diferença insignificante e optou pelo arquivamento do caso.
Diante disso, o advogado Cristiano Medina da Rocha, contratado por Ernesto Iannoni para sua defesa, interpôs um recurso junto ao Procurador Geral de Justiça de São Paulo, buscando o desarquivamento do inquérito e a continuidade das investigações. Medina expressou confiança de que a justiça prevalecerá e que o Ministério Público agirá em prol da verdade e da proteção dos direitos do idoso prejudicado.
O recurso encontra-se agora nas mãos do Procurador Geral de Justiça, aguardando uma decisão que poderá reabrir a possibilidade de a polícia civil dar continuidade às investigações, garantindo que o caso seja devidamente esclarecido e que a justiça seja feita para a vítima.
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