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COLUNA

A geopolítica favorece Putin e pressiona Maduro

A crise humanitária na Venezuela e a possibilidade de mudança política sob a pressão dos EUA e aliados. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @EFEnoticias
A crise humanitária na Venezuela e a possibilidade de mudança política sob a pressão dos EUA e aliados. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @EFEnoticias
Dennis Munhoz

por Dennis Munhoz

Publicado em 09/12/2025, às 09h11


Até algumas semanas atrás, Donald Trump apontava o dedo para Vladimir Putin como o principal responsável pela continuidade da guerra contra a Ucrânia e elevava o tom das ameaças de novas sanções contra a Rússia. A comunidade europeia aplaudia e aguardava pelas próximas medidas. A Ucrânia, apesar de abalada e dependente, conseguia respirar com esse oxigênio vindo da América. Putin, por sua vez, permanecia irredutível nas excelentes condições que propunha para um eventual acordo e parecia ignorar por completo as pressões vindas dos Estados Unidos e da Europa.

Sem lógica aparente, Washington mudou de posição. De repente, passou a declarar que o acordo deveria ocorrer com base justamente nas condições que criticava anteriormente, responsabilizando a própria Ucrânia pela não conclusão das negociações. A Rússia, evidentemente, celebra esse novo direcionamento e se sente mais confortável do que nunca, apesar da resistência europeia. Todos sabem que, sem o apoio norte-americano, a sobrevivência da Ucrânia a médio prazo é inviável.

É verdade que a política ucraniana enfrenta problemas graves e recorrentes, e que muitos de seus governantes não se destacam pela transparência ou honestidade. Mas qual foi, afinal, o motivo dessa guinada dos Estados Unidos?

Rússia e China, surpreendentemente, não abraçaram a causa de Nicolás Maduro. Quando se esperava apoio político e logístico ao ditador venezuelano, limitaram-se a declarações discretas e pouco eficazes contra a intervenção norte-americana. Enquanto isso, a presença militar dos EUA no Caribe aumentava, e foi dada autorização para que a CIA — agência que atua fora do território americano — operasse em solo venezuelano no combate ao narcotráfico.

Além de não reconhecerem Maduro como presidente legítimo, os Estados Unidos o apontam como líder do cartel de Los Soles, um dos maiores grupos de narcotráfico do mundo. Até agora, os barcos afundados pela força militar americana no Caribe realmente parecem ligados ao tráfico, e há fortes indícios de que o cartel mantém operações e instalações na Venezuela com a leniência — ou até participação — do governo local.

Nesse aspecto, a atuação coordenada por Trump é louvável e necessária. A permanência de Maduro no poder se revela cada vez mais insustentável, especialmente diante da postura surpreendentemente discreta de seus principais aliados, Rússia e China.

A partir disso, o desenho estratégico começa a ganhar forma: os Estados Unidos afrouxam a pressão sobre a Rússia — e, indiretamente, sobre a China — no acordo com a Ucrânia, encerram a remessa de bilhões do contribuinte americano para a manutenção da guerra e obtêm, em troca, um compromisso velado desses países de não interferirem na estratégia de Trump para retirar Maduro do poder e enfraquecer o narcotráfico na região. Até o Brasil tem adotado postura mais cautelosa em relação à Venezuela, buscando preservar a relação com Washington.

É claro que o combate ao narcotráfico é necessário e urgente. A possível queda de um ditador que se mantém por meio de eleições questionadas internacionalmente também tende a beneficiar o povo venezuelano, que há anos sofre com fome, miséria, apagões, falta de medicamentos, restrições à liberdade e ausência total de perspectivas. No entanto, é impossível ignorar um fator central: a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo.

Hoje, por causa do colapso econômico, apenas cerca de 10% do petróleo potencialmente explorável é efetivamente extraído — uma soma que poderia gerar bilhões de dólares rapidamente com investimentos estrangeiros. Mas qual empresa se arriscaria a investir sob o atual regime? Uma mudança política, mesmo que motivada por interesses geoestratégicos, poderia ao menos aliviar parte da crise humanitária. Não se sabe se os benefícios chegariam ao povo, mas certamente reduziriam a miséria extrema em que vive a maioria da população.

A Venezuela perdeu quase 8 milhões de habitantes na última década — um êxodo gigantesco para um país de apenas 28 milhões. O Judiciário é controlado pelo regime, a oposição e a imprensa estão sitiadas, e as Forças Armadas, quando não são cooptadas, são intimidadas por guerrilhas alinhadas a Maduro. E tudo isso ocorre a poucas horas de voo dos Estados Unidos.

Desejo a todos um ótimo Natal e um próspero 2026.


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