O fotógrafo faleceu em Paris, deixando um legado de imagens que retratam a beleza e as contradições do mundo

Gabriela Thier Publicado em 23/05/2025, às 17h44
O renomado fotógrafo Sebastião Salgado faleceu nesta quarta-feira (23), aos 81 anos, em Paris. A confirmação do falecimento veio através do Instituto Terra, a organização não governamental que ele fundou e que é dedicada à conservação ambiental.
Uma declaração emitida pelo Instituto destaca a importância de Salgado, afirmando que "Sebastião foi muito mais do que um dos maiores fotógrafos de nosso tempo. Juntamente com sua companheira, Lélia Deluiz Wanick Salgado, ele semeou esperança onde havia devastação, promovendo a ideia de que a restauração ambiental é um gesto profundo de amor pela humanidade. Sua lente capturou o mundo e suas contradições, e sua vida exemplificou o poder da ação transformadora".
Sebastião Salgado foi autor de uma vasta obra que inclui ensaios fotográficos e exposições itinerantes. Seu trabalho se caracteriza por imagens em preto e branco que retratam paisagens, fauna e comunidades ao redor do mundo, ao longo de várias décadas.
Além de registrar as belezas naturais, suas fotografias também abordaram a cultura e as tradições de povos indígenas, a dignidade humana das populações marginalizadas, assim como as dificuldades enfrentadas por essas comunidades, incluindo questões relacionadas ao trabalho forçado e ao deslocamento causado por guerras e pobreza.
Trajetória de Vida
Nascido em 1944 na vila de Conceição do Capim, localizada no distrito do município de Aimoré (MG), Salgado passou a maior parte de sua vida em Paris desde o final dos anos 1960. Em 1969, devido ao endurecimento do regime militar brasileiro, ele e sua esposa decidiram se exilar na França.
Antes de se consagrar como fotógrafo contemporâneo, Sebastião Salgado obteve seu mestrado em economia pela Universidade de São Paulo em 1968 e se doutorou na Université de Paris em 1971. Entre 1971 e 1973, trabalhou como secretário da Organização Internacional do Café em Londres. Em 1974, retornou a Paris para iniciar sua carreira fotográfica profissional na agência Sygma.
No ano seguinte, mudou-se para a agência Gamma, onde começou a documentar as condições de vida dos camponeses e indígenas latino-americanos, o que lhe conferiu reconhecimento internacional. Em 1979, ingressou na prestigiosa agência Magnum, da qual foi presidente até 1994. Nesse mesmo ano, fundou a Amazonas Imagens junto com sua esposa.
Reconhecimentos e Prêmios
O trabalho de Sebastião Salgado foi amplamente reconhecido com diversos prêmios internacionais. Entre suas conquistas estão o prêmio Eugene Smith (EUA) em 1982, o World Press Photo (Holanda) em 1985, o prêmio Oscar Barnack (Alemanha) em 1985 e 1992, o prêmio Erna e Victor Hasselblad (Suécia) em 1989 e o prêmio de Fotojornalismo do International Center of Photography (EUA) em 1990.
Além disso, recebeu numerosas honrarias ao longo de sua carreira, incluindo a distinção como representante especial da Unicef e membro honorário da Academia das Artes e Ciências dos Estados Unidos.
Em abril deste ano, quinze obras produzidas por Salgado foram reincorporadas ao patrimônio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), avaliadas em quase R$1 milhão.
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