Pela primeira vez desde a tragédia de 2018, visitantes terão acesso, ainda que de forma temporária, a três espaços internos restaurados do palácio

William Oliveira Publicado em 02/07/2025, às 13h26
O Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro, reabriu suas portas nesta quarta-feira (2), após permanecer sete anos fechado em decorrência do incêndio devastador ocorrido em 2018. Este retorno marca o início de uma nova fase para a instituição, que passou por extensas obras de restauração.
Para a reabertura, foi organizada a exposição temporária intitulada “Entre Gigantes: uma experiência no Museu Nacional”. Entre os destaques, encontra-se o meteorito Bendegó — que resistiu ao incêndio — e o esqueleto de um cachalote recém-adquirido, com impressionantes 15,7 metros de comprimento, agora exposto sob a nova claraboia do edifício.
Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional/UFRJ, expressou entusiasmo ao declarar: “Esta é uma programação que evidencia a resiliência dos trabalhadores do Museu, a excelência das ações de restauro que estão em andamento e, claro, a relevância científica dos nossos acervos para ampliação do acesso ao conhecimento. É um momento histórico: poder, mesmo que por pouco tempo, abrir uma pequena parte do palácio para visitação! Toda a sociedade está convidada a participar dessa nova fase do Museu!”.
A visitação estará disponível entre os dias 2 e 31 de agosto, com entrada gratuita mediante agendamento e retirada de ingressos pela plataforma Sympla.
Reforma e reconstrução
O projeto de revitalização, batizado de “Museu Nacional Vive”, conta com orçamento total de R$ 516,8 milhões (excluindo a recomposição do acervo). Até o momento, foram captados R$ 347,2 milhões, o que representa 67% da meta. Ainda faltam R$ 169,6 milhões para alcançar os 33% restantes.
Graças a esse investimento, já foram restauradas as fachadas e coberturas dos blocos 1, 2 e 3 do museu, com 80% das obras concluídas. Além disso, 75% das fachadas de todo o palácio histórico já foram recuperadas. Outros elementos de grande relevância também estão em processo avançado de restauração, como as esculturas centenárias esculpidas em mármore de Carrara e os jardins históricos do entorno.
O incêndio
No dia 2 de setembro de 2018, o Museu Nacional foi consumido por um incêndio catastrófico que resultou na perda de aproximadamente 90% de seu acervo. As investigações apontam que o fogo teria começado por um curto-circuito em um aparelho de ar condicionado, destruindo coleções preciosas nas áreas de história natural e antropologia.

Fundado em 1818 pelo rei Dom João VI, o museu construiu seu acervo inicialmente por meio de doações da Família Imperial e de colecionadores particulares. Ao longo dos séculos, consolidou-se como o maior museu de história natural da América Latina, com cerca de 20 milhões de itens. Muitas dessas peças tinham valor inestimável — e jamais poderão ser recuperadas.
Reconhecido como a mais antiga instituição científica do Brasil e um dos maiores museus dedicados à história natural e à antropologia das Américas, o Museu Nacional representa uma parte essencial da memória, da ciência e da identidade brasileiras.
Leia também

Relembre a Lei Mariana Ferrer, criada após revolta com audiência do caso

Anac autoriza duas novas companhias aéreas internacionais a operar no Brasil

Investigado por suposta falsificação de peças de luxo já foi denunciado pelo GAECO em caso de roubo de cargas

São Paulo entra em alerta para temporais, ventos fortes e queda brusca de temperatura

Apoiadora de Bolsonaro realiza vigília em condomínio mesmo após restrição imposta por Moraes

Exame do IML não detecta lesões em menina de 4 anos; polícia segue com investigação em caso de clube social

Caiado promete pacote de reformas no primeiro dia de governo e inclui mudanças no STF

Thiago Brennand vai se casar com advogada que atua em sua defesa criminal

Justiça bloqueia veículos de empresa de Ana Hickmann em ação por cheques sem fundo

PF investiga suposta fraude financeira no Banco Digimais, ligado a Edir Macedo