
por André Molinari
Publicado em 24/09/2025, às 10h35
Vivemos em um mundo onde palavras não são apenas sons soltos no ar. Cada palavra carrega uma energia, um campo vibracional capaz de moldar realidades. Quando alguém lança uma praga, seja num momento de raiva, inveja ou desejo de vingança, não está apenas pronunciando frases carregadas de rancor: está criando uma forma-pensamento, uma energia que ganha corpo e circula no campo quântico e espiritual. E aquilo que circula, cedo ou tarde, encontra o caminho de volta.
Na visão quântica, todo pensamento gera uma onda. Essa onda interage com o campo de possibilidades que nos cerca e ressoa, atraindo experiências semelhantes à sua vibração. Uma praga é um pensamento com carga intensa de negatividade, e como toda energia emitida, ela precisa se ancorar em algum lugar. Muitas vezes, atinge de imediato o alvo desejado, fragilizando o campo energético de quem recebe. Mas, inevitavelmente, a mesma energia se conecta ao emissor, pois o universo não reconhece separação absoluta: somos todos parte de uma teia única. O que projetamos nos outros retorna a nós.
A tradição Yorùbá, rica em sabedoria ancestral, reconhece isso há séculos. Nos itans e nos odus, há inúmeras histórias que alertam sobre o poder da palavra, do àṣẹ. A palavra proferida tem vida, tem axé, e por isso deve ser cuidada com responsabilidade. Quando alguém amaldiçoa outro, lança sobre si mesmo a obrigação de sustentar essa energia, porque no equilíbrio do cosmos, nenhuma força permanece solta. Se uma praga encontra resistência no destino de quem a recebe — porque os orixás protegem, porque o ori está fortalecido, ou porque a pessoa tem méritos espirituais —, ela retorna ao emissor, muitas vezes multiplicada.
Essa é a essência da chamada lei do retorno. Não se trata de punição, mas de consequência natural. Aquele que semeia espinhos não pode esperar colher flores. Aquele que lança dor, em algum ponto da sua trajetória, precisará enfrentar o reflexo dessa dor. Pode ser na forma de doenças, de dificuldades inesperadas, de relacionamentos conflituosos ou de fracassos sem explicação aparente. O retorno não escolhe hora, nem lugar: ele se manifesta no tempo em que o equilíbrio universal assim determina.
No Candomblé, diz-se que quem vive de lançar pragas e feitiços negativos está constantemente se desequilibrando diante do próprio ori. O ori, que é nossa cabeça e nosso destino, não tolera por muito tempo o desvio do axé para caminhos de destruição. A alma adoece quando se alimenta do desejo de ver o outro cair. E adoecida, ela atrai para si mesma os infortúnios que desejava espalhar.
A física quântica ajuda a compreender esse fenômeno sob outra lente: aquilo que observamos, intencionamos e projetamos cria um campo de probabilidade. Se continuamente projetamos raiva, inveja e destruição, acabamos por colapsar essas possibilidades dentro da nossa própria vida. É como mirar uma flecha envenenada contra alguém e, no movimento, encharcar a si mesmo com o mesmo veneno.
Por isso, é fundamental compreender que toda praga lançada é também uma praga pedida. Quando escolhemos usar nossa palavra como arma, ferimos primeiro a nós mesmos. Quando permitimos que a inveja seja o motor do nosso discurso, plantamos a escassez na nossa colheita. Quando amaldiçoamos, quebramos nossa própria corrente de prosperidade.
O antídoto é simples, embora exija disciplina: usar a palavra como bênção, cultivar pensamentos elevados, fortalecer o ori com boas escolhas e se alinhar ao axé dos orixás. Quem aprende a abençoar abre portas de prosperidade; quem aprende a calar diante da raiva evita criar formas negativas; quem cultiva o amor em sua fala edifica pontes que resistem ao tempo.
O universo, na visão quântica e na tradição Yorùbá, é movimento de troca. Tudo o que lançamos retorna. E se não queremos colher pragas, não devemos semeá-las. Que nossas palavras sejam sempre sementes de luz, porque a vida, inevitavelmente, nos fará provar dos frutos que plantamos.
Antes de lançar uma praga, se pergunte: eu conseguiria lidar com o dobro disso?! Fique na pergunta!!!
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