
por Zora Viana
Publicado em 21/11/2025, às 09h50
Em outubro, um levantamento da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento apontou que o investimento em capacitação cresceu 14% no setor privado. Mas o dado mais surpreendente não foi o volume investido — e sim o perfil das empresas que mais contribuíram com esse crescimento. Eram organizações que deram um passo além do tradicional: não apenas treinam, mas estruturaram suas próprias universidades corporativas. Com conteúdo autoral. Com identidade. Com estratégia.
Esse movimento, que parecia algo distante há alguns anos, hoje se mostra uma resposta inteligente a um dilema recorrente: como desenvolver talentos de forma contínua, engajada e com sentido?
Treinar sempre foi importante. Mas o mundo mudou.
Hoje, mais do que capacitar, as empresas que se destacam são aquelas que entendem a formação como um projeto de cultura viva. Formação com propósito, com linguagem própria, com método que respeita o ritmo da operação e o crescimento das pessoas.
Empresas assim não copiam trilhas prontas. Elas criam seu jeito de ensinar.
Segundo a Deloitte, organizações que implementam programas formais de formação interna têm mais que o dobro de chances de superar suas metas de performance. Além disso, enfrentam uma taxa significativamente menor de rotatividade nos dois primeiros anos dos colaboradores. E isso diz muito.
Diz que quem ensina bem, retém. Quem forma com verdade, fideliza. E quem estrutura uma jornada de aprendizado que conversa com o dia a dia da empresa, transforma até o jeito das pessoas se relacionarem com o trabalho.
Mas há uma crença limitante que ainda trava muitas empresas: “não temos estrutura para isso”. E aqui está o maior equívoco. Universidade corporativa não é sobre prédios ou plataformas robustas. É sobre visão. É sobre intencionalidade. É sobre a coragem de dizer: “aqui dentro, ensinar também é liderar”.
Começar é mais simples do que parece. Com um bom diagnóstico, uma trilha clara e apoio estratégico, é possível criar formações autorais que respeitam a operação, aceleram resultados e formam um legado.
Porque no fim das contas, toda empresa tem uma cultura. A questão é: ela está sendo transmitida de forma consistente ou está se diluindo no improviso?
Treinamento é só o começo. Educação bem feita é o que fica.
Vamos agir?


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