
por Agenor Duque
Publicado em 18/02/2023, às 06h52
Depois da pandemia do coronavíruse todas as polêmicas envolvendo imunizantes da doença e os procedimentos das autoridades de saúde e política envolvendo isolamento social e lockdown, surge uma nova ameaça à saúde humana.
Antes mesmo que a população mundial tenha se recuperado e podido respirar aliviada, de fato, com respeito à covid-19, é atingida por outro golpe, desta vez vindo do continente africano. O vírus Marburg (nome em referência à uma pequena cidade da Alemanha, onde o vírus teve seu primeiro registro) tem infectado várias pessoas na República dos Camarões e na Guiné Equatorial.
Em reunião na última terça-feira (14), a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou a existência de um surto do novo vírus, inicialmente na região da Guiné Equatorial. O vírus é parente do ebola, altamente infeccioso e tem taxa média de mortalidade de 55%, podendo chegar a 88%, alerta a OMS; a variação depende da cepa do vírus e da capacidade para o gerenciamento de casos.
O estado de alerta instalou-se no país africano, especialmente pelo fato de ainda não haver imunizantes ou tratamento aprovado contra o vírus. Apesar disso, cuidados como reidratação com fluidos orais e/ou intravenosos e o tratamento de sintomas específicos (manutenção do nível de oxigênio e controle da pressão arterial) têm reduzido os riscos de os contaminados virem a óbito. A boa notícia é que tratamentos vêm sendo avaliados, e incluem produtos sanguíneos, terapias imunológicas e medicamentosas e candidatas a vacinas.
Números atualizados da doença dão conta de que há registros de 09 mortes e 16 casos suspeitos da doença (14 deles não apresentaram quaisquer sintomas, 02 têm sintomas leves). Atualmente há 21 pessoas em isolamento e sob vigilância, devido a contato que tiveram com pessoas falecidas em consequência do vírus. Há ainda mais de 4 mil pessoas em quarentena em suas residências.
O governo de Camarões notificou 02 casos suspeitos da doença no país, que faz fronteira ao sul com Guiné; trata-se de adolescentes de 16 anos que viajaram para Guiné Equatorial, onde o surto está confirmado, e já impôs restrições na fronteira com o país vizinho, com vistas a evitar contágio, depois de receber informações de cidadãos da Guiné Equatorial acometidos de febre hemorrágica.
A doença acomete de forma abrupta e tem período de encubação de 2 a 21 dias, e os pacientes apresentam sinais hemorrágicos considerados graves, geralmente, em sete dias. O vírus, inicialmente transmitido por morcegos, entre seres humanos tem contágio através de fluidos corporais de infectados ou superfícies, inclusive roupas de cama dos doentes, agulhas e equipamentos médicos. Dentre os sintomas mais comuns, os infectados apresentam febre hemorrágica, dores de cabeça e abdominal, vômito (com sangue, inclusive), fadiga, diarreia, problemas respiratórios.
Dentre a população de risco estão familiares de pessoas infectadas, profissionaisda saúde que não atendem adequadamente às medidas de proteção e prevenção, além de veterinários e profissionais de laboratórios e pesquisadores.
Autoridades de saúde da Guiné Equatorial enviaram oito amostras ao Institut Pasteur para serem analisadas, após alerta de funcionário da saúde distrital; o resultado foi positivo para Murburg.
No Brasil não temos registros de casos de contaminação, mas todo cuidado é pouco quando se trata de um país acolhedor de turistas do mundo todo e grande diversidade. Assim, a recomendação é para que quem tiver contato com indivíduos que estiveram em Camarões ou na Guiné Equatorial, ou estiveram em viagem a um desses locais, estejam atentos a quaisquer sinais, dentre eles: náuseas e vômitos; dores no peito, na garganta ou abdominal; diarreia. Em casos de agravamento, a doença apresenta sinais como icterícia, perda de peso significativa, insuficiência hepática, hemorragia etc.
Estar atentos aos sinais é imprescindível, especialmente os associados à exposição ao vírus. Portanto, estes casos apontam para a necessidade de isolamento do suspeito de acometimento e notificação imediata das autoridades sanitárias, lembrando que a detecção precoce é fator determinante para recuperação plena do paciente, e o diagnóstico é feito em laboratório, a partir de amostras do paciente, e incluem diagnóstico molecular e testes de antígeno.
Melhor que tratar é prevenir. Desta forma, viagens aos países mencionados devem ser evitadas, bem como as áreas onde haja morcegos que se alimentam de frutos e o contato com doentes.
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