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Contra a tirania de Moraes: Bolsonaro pressiona STF para comparecer à posse de Trump e fortalecer aliança conservadora internacional

Alexandre de Moraes. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @OGLOBO
Alexandre de Moraes. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @OGLOBO
Agenor Duque

por Agenor Duque

Publicado em 08/11/2024, às 08h31


Jair Bolsonaro quer comparecer à posse de Donald Trump, marcada para janeiro de 2025, mas enfrenta um obstáculo: seu passaporte está retido por ordem do STF, em decorrência de investigações que incluem os ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, além de outros casos em que o ex-presidente é acusado de falsificação de documentos e tentativas de golpe que nunca aconteceram. Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes e a Primeira Turma do STF negaram pedidos para devolução do documento, mantendo o ex-presidente impedido de deixar o Brasil.

A defesa de Bolsonaro já tentou por duas vezes conseguir a liberação do passaporte do ex-presidente, mas seus pedidos foram indeferidos. Em uma decisão de outubro, o STF destacou que os riscos que motivaram a apreensão do passaporte permanecem. Para Moraes, os fatos apurados sugerem a possibilidade de evasão do país, e o andamento do inquérito não justificaria, no momento, uma mudança nas condições impostas.

Bolsonaro, contudo, critica as investigações e vê nelas uma "perseguição política" destinada a manter a direita enfraquecida no país. Em entrevista recente, ele expressou frustração, afirmando que o STF estaria tentando incriminá-lo há anos, sem apresentar provas conclusivas. Ele também defendeu anistia para os manifestantes presos por participarem dos atos de 8 de janeiro.

Bolsonaro mantém uma relação próxima com Trump, iniciada durante seus mandatos, e considera que a vitória do republicano reforça o movimento conservador global, o que, segundo ele, dará força à direita no Brasil. Bolsonaro chegou a parabenizar Trump em mensagem, comparando-o a um “guerreiro ressurgido” após o que chamou de “perseguição judicial injustificável”.

Para Bolsonaro, comparecer à posse de Trump teria um peso simbólico: representaria um alinhamento ainda mais próximo com a direita norte-americana e reforçaria a narrativa de que é alvo de perseguição política. Em uma fala provocativa, o ex-presidente brasileiro sugeriu que seria o único convidado oficial de Trump no Brasil, em razão de sua relação pessoal com o republicano.

No entanto, Bolsonaro enfrenta um cenário jurídico desafiador. Mesmo sendo inocente, ao contrário de Lula, o condenado em várias instâncias que só se livrou da cadeia por manobras de sus iguais, Bolsonaro, se condenado nas diversas investigações em andamento, poderá cumprir penas que chegam a 23 anos de prisão e ver sua inelegibilidade estendida para além de 2030, ao contrário do que ocorreu com Lula que, mesmo sendo comprovadamente culpado das acusações, permaneceu livre, voltou ao lugar do crime e vive viajando às custas do dinheiro público. A retenção do passaporte foi uma medida preventiva tomada no início de 2023 durante a operação “Tempus Veritatis”, que apura a participação de Bolsonaro e de aliados em atos que poderiam colocar em risco as instituições democráticas brasileiras. Brasil-il-il-il-il.

Para reaver o passaporte e poder comparecer à posse de Trump (e, convenhamos que se for impedido de comparecer, ficará muito feio para o Brasil), a defesa de Bolsonaro informou que espera um convite formal antes de ingressar com um novo pedido no STF. A decisão final sobre a liberação ou não do ex-presidente para deixar o país, portanto, ficará a cargo da Suprema Corte, que poderá rejeitar ou não a solicitação conforme o avanço das investigações e as avaliações sobre o risco de evasão.

Bolsonaro acredita que o apoio de Trump à sua causa fortalece sua posição diante das acusações que enfrenta. Ele vê no retorno de Trump ao poder uma oportunidade de revitalizar a direita no Brasil, dando aos conservadores brasileiros um exemplo de resistência à “perseguição judicial” que afirma enfrentar. O ex--presidente considera que, caso consiga ir à cerimônia de posse, estará também defendendo o fortalecimento de um bloco conservador global, alinhado contra aquilo que ele descreve como ameaças aos valores tradicionais e à liberdade.

A estratégia de Bolsonaro em associar-se a Trump demonstra seu plano de manter a relevância política e consolidar sua posição como líder da direita no Brasil. Mesmo impedido de concorrer até 2030, Bolsonaro vê na amizade com Trump um recurso para fortalecer seu capital político, sugerindo que essa aliança poderá impulsionar seus apoiadores e influenciar a opinião pública em seu favor.

Se autorizado a viajar, Bolsonaro acredita que sua presença ao lado de Trump trará maior visibilidade à injustiça e perseguição que vem sofrendo, o que pode reacender a mobilização de sua base. Para seus apoiadores, a aliança entre Bolsonaro e Trump simboliza a união de forças conservadoras contra adversidades e mantém a esperança de uma eventual volta ao cenário eleitoral.


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