Tecnologia criada em Santos utiliza luz infravermelha para estimular áreas do cérebro e poderá ser aplicada como terapia complementar em diferentes transtornos
Julio Cezar Souza Publicado em 27/07/2026, às 09h50
Uma empresa sediada em Santos, no litoral de São Paulo, desenvolveu um capacete que utiliza luz infravermelha para estimular regiões do cérebro com o objetivo de auxiliar no tratamento de transtornos mentais e doenças neurológicas. Batizado de HeadUp, o equipamento é apontado pela fabricante como o primeiro dispositivo médico desenvolvido no Brasil com foco exclusivo em saúde mental.
O funcionamento do aparelho é baseado na técnica de fotobiomodulação transcraniana, que utiliza luz infravermelha de baixa intensidade para alcançar o tecido cerebral e estimular a atividade das células. Embora esse tipo de tecnologia já seja empregado em outras áreas da saúde, sua aplicação voltada especificamente ao tratamento de doenças neurológicas e psiquiátricas ainda é recente no país.
Segundo a empresa responsável pelo projeto, foram investidos mais de R$ 10 milhões no desenvolvimento do equipamento. A criação contou com a participação de pesquisadores e instituições de ensino, entre elas a Universidade de Pernambuco (UPE) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O dispositivo possui certificações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), permitindo sua utilização em protocolos clínicos autorizados.
De acordo com especialistas, o capacete pode ser utilizado como terapia complementar em pacientes com depressão, ansiedade, enxaqueca, doença de Parkinson e Alzheimer, além de outras condições neurológicas e psiquiátricas que ainda estão sendo avaliadas em pesquisas clínicas.
O neurologista Juarez Harding explica que a luz infravermelha emitida pelo equipamento atravessa o couro cabeludo e atua diretamente em regiões do cérebro, estimulando a atividade celular e contribuindo para reduzir processos inflamatórios associados a algumas doenças. Ele ressalta, porém, que a tecnologia não substitui os tratamentos convencionais e deve ser utilizada apenas com indicação e acompanhamento médico.
Uma das pacientes que participou do protocolo de tratamento foi a recepcionista Camila Alves de Carvalho, de 45 anos, que buscava alternativas para controlar crises frequentes de enxaqueca. Segundo ela, após iniciar a terapia, houve redução significativa dos episódios e melhora na qualidade de vida.
Além da aplicação em clínicas particulares, a empresa realiza estudos em parceria com o Ambulatório de Neurologia Clínica de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, para avaliar a possibilidade de utilização da tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto aposta no baixo custo operacional, na portabilidade e na facilidade de uso como fatores que podem favorecer sua adoção em maior escala.
A fabricante também informou que mantém cooperação científica com instituições internacionais, entre elas a Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, como parte da estratégia para ampliar o alcance da tecnologia desenvolvida no Brasil.