Governador de São Paulo rebate críticas do ex-ministro da Fazenda, questiona sua atuação econômica e cobra apresentação de propostas para o Estado.
Ana Beatriz Publicado em 02/06/2026, às 10h27
A troca de críticas entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira, 1º, durante entrevista concedida por Tarcísio à rádio Jovem Pan.
Ao comentar a gestão de Haddad no comando da equipe econômica federal, o governador fez duras críticas à condução da política econômica e ironizou os resultados obtidos durante o período em que o ex-ministro esteve à frente da pasta.
Segundo Tarcísio, diversas empresas brasileiras teriam transferido suas operações para o Paraguai em busca de um ambiente mais favorável para investimentos e produção. O governador utilizou a situação para fazer uma crítica direta ao ex-ministro.
"Ele se tornou o melhor ministro da Fazenda da história do Paraguai. Porque todas as empresas brasileiras foram para lá", afirmou.
Nos últimos anos, o Paraguai passou a atrair investimentos de empresas brasileiras, especialmente dos setores industrial, têxtil, metalúrgico e de autopeças. Entre os fatores apontados por empresários estão a menor carga tributária, custos operacionais reduzidos, energia elétrica mais barata e incentivos oferecidos pelo regime de maquila, modelo que permite a produção voltada principalmente para exportação.
Durante a entrevista, Tarcísio também respondeu às críticas feitas por Haddad, que teria acusado o governador de defender uma postura de alinhamento excessivo do Brasil em relação aos Estados Unidos.
Ao rebater as declarações, o governador afirmou que o ex-ministro dedica grande parte de seu tempo a atacá-lo politicamente e sugeriu que o foco deveria estar na apresentação de propostas concretas para São Paulo.
"Ele passa o dia todo gravando vídeo de mim, falando mal de mim. É um fã, deve ser. Ele devia apresentar um projeto para São Paulo. Você quer ser governador de São Paulo? Fala o que você pensa para São Paulo", declarou.
As declarações ocorrem em um momento de intensificação das articulações políticas para as eleições de 2026. Embora ainda não exista confirmação oficial sobre candidaturas, tanto Tarcísio quanto Haddad aparecem frequentemente em discussões sobre possíveis disputas eleitorais futuras, especialmente no cenário paulista.
O embate também reflete divergências sobre temas econômicos, tributários e de desenvolvimento industrial. Enquanto aliados de Tarcísio defendem que a elevada carga tributária e o aumento dos custos de produção têm levado empresas a buscar outros países da América do Sul, integrantes do campo político ligado a Haddad argumentam que fatores globais e conjunturais influenciam os movimentos empresariais e que a economia brasileira segue atraindo investimentos relevantes.
A troca de acusações reforça o clima de antecipação eleitoral e sinaliza que os debates sobre economia, competitividade e ambiente de negócios deverão ocupar espaço central na disputa política dos próximos meses.