Análise populacional no País de Gales indica queda de 20% no diagnóstico da doença entre vacinados
Gabriela Nogueira Publicado em 04/12/2025, às 15h11
Pesquisadores do País de Gales identificaram um possível efeito adicional da vacina contra herpes-zóster que tem despertado grande interesse na comunidade científica. Além de oferecer proteção contra a infecção viral, o imunizante pode estar associado à redução do risco de desenvolvimento de demência, segundo estudo publicado na revista científica Cell.
A descoberta surgiu a partir de uma análise populacional que utilizou um critério simples para comparar grupos: a elegibilidade para a vacinação baseada na data de nascimento. Isso permitiu aos pesquisadores avaliar indivíduos semelhantes entre si, diferenciados apenas pelo acesso ao imunizante, reduzindo interferências externas sobre o resultado.
Os dados apontam que pessoas vacinadas apresentaram cerca de 20% menos chances de receber um diagnóstico de demência ao longo de sete anos de acompanhamento. Entre aqueles que já viviam com a condição no início da pesquisa, a vacinação demonstrou outro possível benefício. Os imunizados apresentaram progressão mais lenta da doença e menor mortalidade associada à demência no período de nove anos.
Embora os resultados chamem a atenção, os autores reforçam que o estudo é observacional. Isso significa que há uma associação clara, mas não é possível afirmar que a vacina seja a causa direta da redução do risco. Mesmo assim, a hipótese é considerada promissora e levanta a possibilidade de que a resposta imunológica desencadeada pela vacina possa exercer algum impacto positivo sobre o sistema nervoso central.
A demência, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e tende a se tornar ainda mais comum com o envelhecimento populacional, segue como um dos maiores desafios da saúde pública global. Por isso, intervenções simples, já disponíveis e com perfil de segurança bem estabelecido são vistas como caminhos valiosos para frear o avanço da doença.
Para que a relação entre a vacinação e a saúde cerebral seja confirmada, os pesquisadores defendem a realização de ensaios clínicos direcionados, que possam investigar de forma mais precisa os mecanismos envolvidos. Caso estudos futuros reforcem essa conexão, a imunização contra o herpes-zóster pode se tornar uma aliada importante na prevenção e no manejo da demência.