Relatório da organização indica que impacto da pandemia foi três vezes maior do que o registrado oficialmente pelos países
Julio Cezar Souza Publicado em 15/05/2026, às 10h43
Um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde revelou que cerca de 22,1 milhões de mortes estiveram associadas à pandemia de Covid-19 entre 2020 e 2023. O número é mais de três vezes superior ao total oficialmente notificado pelos governos no mesmo período, que soma aproximadamente 7 milhões de óbitos.
Os dados fazem parte do levantamento World Health Statistics 2026, publicado pela OMS, que avalia os impactos globais da pandemia e os reflexos sobre os sistemas de saúde ao redor do mundo.
Segundo o relatório, a crise sanitária interrompeu avanços conquistados ao longo de uma década na expectativa de vida mundial. A organização afirma que a recuperação ainda ocorre de forma desigual entre diferentes regiões do planeta.
Para chegar ao número estimado de mortes, a OMS utilizou o cálculo conhecido como “excesso de mortalidade”. O método compara o total de mortes registradas durante a pandemia com a quantidade de óbitos que seria esperada com base nas tendências históricas anteriores à Covid-19.
O levantamento considera não apenas mortes diretamente causadas pelo coronavírus, mas também vítimas de outras doenças que deixaram de receber atendimento adequado devido à sobrecarga dos sistemas de saúde durante o período crítico da pandemia.
De acordo com a organização, o ano de 2021 apresentou a maior diferença entre mortes oficiais e estimativas reais, com cerca de 10,4 milhões de óbitos em excesso. O cenário foi impulsionado principalmente pela circulação da variante Delta e pelo colapso enfrentado por hospitais em diversos países.
A OMS também destacou preocupação com a baixa qualidade e a demora na divulgação de dados de mortalidade em várias partes do mundo. O relatório aponta que, até o fim de 2025, apenas 18% dos países enviavam informações sobre mortes à entidade dentro do prazo de um ano.
Além disso, quase um terço das nações nunca reportou dados completos relacionados às causas de morte de suas populações.
Segundo o documento, apenas um terço dos países atende aos padrões considerados adequados pela OMS para produção de estatísticas de mortalidade confiáveis. Cerca de metade apresenta informações classificadas como de baixa qualidade ou sequer possui sistemas completos de monitoramento.
O diretor do Departamento de Dados, Saúde Digital, Análise e Inteligência Artificial da OMS, Alain Labrique, afirmou que as falhas na coleta de dados dificultam o acompanhamento em tempo real das tendências de saúde pública e comprometem a elaboração de respostas mais eficientes diante de crises sanitárias globais.