Força-tarefa mantém operação em todo o estado com 2.500 ampolas de antídoto disponíveis
Gabriela Nogueira Publicado em 03/10/2025, às 19h10
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo divulgou, nesta sexta-feira (3), um novo balanço que revela um total de 102 casos relacionados à intoxicação por metanol, abrangendo tanto casos confirmados quanto em investigação. Dentre os casos, 11 foram oficialmente confirmados, incluindo um óbito na capital paulista. O relatório também aponta que 91 casos permanecem sob investigação, com oito mortes sendo analisadas, sendo cinco na capital, duas em São Bernardo do Campo e uma em Cajuru.
Em resposta ao aumento dos casos, o Governo de São Paulo instaurou um gabinete de crise desde terça-feira (30) para reforçar as ações contra a contaminação por metanol. A orientação das autoridades sanitárias é que a população evite o consumo de bebidas alcoólicas sem procedência definida neste período crítico.
Governo e Forças-Tarefa em Ação
Uma força-tarefa composta pelas Secretarias da Saúde, Segurança Pública, Fazenda e Justiça está mobilizada e permanecerá em alerta durante o fim de semana para monitorar a situação de intoxicações. Até o momento, 10 estabelecimentos foram interditados após fiscalização rigorosa, e 30 indivíduos foram detidos neste ano, com 4.500 garrafas apreendidas somente nesta semana.
"Orientei a Secretaria da Fazenda a suspender cautelarmente a inscrição estadual de todos os estabelecimentos flagrados comercializando bebidas falsificadas ou adulteradas. Em São Paulo, estamos comprometidos em proteger a saúde pública e garantir a segurança do consumidor", afirmou o governador Tarcísio de Freitas.
Nesta sexta-feira, o governo anunciou a aquisição imediata de 2 mil ampolas de álcool etílico absoluto para tratamento de pacientes intoxicados por metanol. Além das novas unidades adquiridas, já existiam 500 ampolas em estoque nos serviços de saúde do estado, assegurando uma reserva adequada para atender às necessidades emergenciais.
A compra foi feita pela Secretaria Estadual e as ampolas serão distribuídas aos centros de referência: Hospital das Clínicas de Campinas, Ribeirão Preto e São Paulo. Conforme comunicado técnico do Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo, as unidades de saúde devem requisitar as ampolas apresentando uma cópia da notificação do caso relacionado ao consumo de metanol.
Orientações à População
A intoxicação por metanol é uma condição grave que pode resultar em cegueira permanente ou até mesmo morte. O metanol pode ser encontrado em bebidas alcoólicas clandestinas e adulteradas, além de produtos como combustíveis e solventes. As unidades de saúde estão preparadas para atender os casos e a Secretaria recomenda que os consumidores evitem bebidas destiladas cuja procedência não seja conhecida. Pacientes que apresentarem sintomas incomuns após ingestão alcoólica devem procurar atendimento médico imediatamente, realizar exames laboratoriais e avaliação oftalmológica. Sintomas como dores abdominais intensas, tontura e confusão mental requerem socorro urgente dentro das primeiras seis horas após o início dos sinais.
O estado conta com um laboratório em Ribeirão Preto que realiza análises de sangue e urina com resultados disponíveis em até uma hora.
Monitoramento e Apreensões
Desde a instalação do gabinete de crise na última terça-feira (30), foram recolhidas 4.500 garrafas suspeitas para análise. As coletas foram feitas em estabelecimentos identificados com possíveis irregularidades através da fiscalização conjunta com a Polícia Civil. Até esta data, 10 estabelecimentos foram interditados preventivamente nas cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo, Osasco e Barueri.
A intensificação das ações se alinha ao trabalho rotineiro das Vigilâncias Sanitárias nos municípios. Em setembro, mais de 43 mil operações de fiscalização foram realizadas em comércios relacionados à venda de bebidas alcoólicas e alimentos.
No decorrer deste ano, já foram detidas 30 pessoas por crimes relacionados à falsificação de bebidas, sendo oito apenas nesta semana.