A crise das bebidas adulteradas já contabiliza 37 casos de intoxicação por metanol em São Paulo, dos quais 10 foram confirmados e outros 27 ainda estão sob investigação

William Oliveira Publicado em 02/10/2025, às 08h40
A crescente onda de intoxicações por metanol, decorrente do consumo de bebidas alcoólicas adulteradas como gin, vodca e whisky, tem causado forte preocupação em São Paulo. Segundo relatório da Secretaria Estadual da Saúde, já foram registrados 37 casos, sendo 10 confirmados por laudos médicos que atestaram a presença da substância no organismo das vítimas.
O metanol, álcool comum na indústria, é altamente tóxico quando ingerido. Seus efeitos podem provocar danos irreversíveis ao fígado, cérebro e nervo óptico, levando à cegueira, coma e até à morte. Também há registros de complicações pulmonares e renais. Até o momento, seis mortes foram confirmadas — uma delas já comprovadamente ligada a bebidas adulteradas, enquanto as demais seguem em investigação.
Casos de intoxicação
Um dos episódios mais graves envolve Rafael Anjos Martins, 28 anos, que comprou duas garrafas de gin em uma adega na Cidade Dutra, Zona Sul da capital. Após reunir amigos em casa, ele apresentou sintomas severos e foi internado às pressas. Apesar dos esforços médicos, o metanol já havia atingido seu cérebro e nervo óptico, resultando em coma.
No bar Ministrão, na Alameda Lorena, a designer Radharani Domingos, 43 anos, perdeu totalmente a visão depois de beber caipirinhas feitas com vodca. Ela passou por convulsões, foi intubada na UTI e agora está em recuperação em um quarto comum. Revoltada, desabafou: “Era uma região nobre, não era nenhum boteco de esquina. Causou um estrago bem grande. Não estou enxergando nada”.
Já em São Bernardo do Campo, durante um show de pagode, Bruna Araújo de Souza, 30 anos, começou a sentir fortes dores e falta de ar no dia seguinte ao consumo de bebidas. Seu quadro se agravou rapidamente, e ela permanece hospitalizada em estado grave.
Outro caso dramático é o de Wesley Pereira, 31 anos, que entrou em coma após ingerir whisky adulterado em uma festa na Zona Sul. Segundo relatos da família, ele perdeu a visão e enfrenta sérias complicações médicas permanentes.
Por fim, o advogado Marcelo Lombardi, 45 anos, morreu após beber vodca comprada em uma adega. Na manhã seguinte, acordou desorientado e sem enxergar, foi levado ao hospital, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória e falência múltipla dos órgãos. O atestado de óbito confirmou a intoxicação por metanol.
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