Pesquisa identificou ação anti-inflamatória da substância produzida por abelhas e destaca resultados promissores em testes iniciais
Letícia Sales Publicado em 16/05/2026, às 18h20
Uma pesquisa conduzida por cientistas brasileiros revelou que a própolis marrom pode ajudar na prevenção do câncer de cólon. O estudo identificou que compostos presentes na substância têm ação anti-inflamatória capaz de reduzir processos associados ao desenvolvimento da doença.
Os pesquisadores analisaram diferentes variedades de própolis produzidas no Brasil, incluindo as versões verde, vermelha e marrom. Embora todas tenham apresentado algum efeito protetor, a própolis marrom se destacou pelos resultados mais expressivos mesmo em concentrações menores.
“Embora essas três própolis brasileiras tenham composições químicas diferentes, todas apresentaram efeito na proteção contra o processo de carcinogênese, especialmente no câncer de cólon”, afirmou Denise Crispim Tavares, uma das responsáveis pelo estudo.
A própolis é produzida pelas abelhas a partir de resinas vegetais, e sua composição varia conforme a região e as plantas utilizadas. No caso da própolis marrom, os pesquisadores apontam relação direta com a araucária, árvore típica da região Sul do Brasil, fator que influencia suas propriedades químicas.
Os testes foram realizados em laboratório e em modelos animais, etapa considerada inicial dentro do processo científico. Segundo os pesquisadores, os resultados observados estão ligados à capacidade da substância de reduzir inflamações no organismo.
“A carcinogênese do cólon envolve muitos aspectos de inflamação. No nosso estudo, conseguimos observar o efeito anti-inflamatório da própolis e associá-lo ao potencial preventivo contra o câncer”, explicou Denise.
Os cientistas destacam que inflamações crônicas estão entre os fatores que podem contribuir para o surgimento de tumores, o que torna o efeito observado um ponto relevante para futuras pesquisas.
Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que ainda não existe um tratamento ou suplemento aprovado com base nesses achados. Antes de qualquer aplicação clínica, a substância ainda precisará passar por novas etapas de pesquisa, incluindo estudos em humanos.
Para os pesquisadores, o trabalho também reforça o potencial da biodiversidade brasileira no desenvolvimento de novos produtos terapêuticos.
“O Brasil tem uma vasta biodiversidade, oferecendo muitos recursos a serem explorados na obtenção de substâncias para fins terapêuticos”, disse a pesquisadora.
Denise também alertou sobre o uso indiscriminado de produtos naturais sem comprovação científica.
“A população em geral tem o falso conhecimento de que tudo que é natural é bom. Muitos medicamentos, inclusive quimioterápicos, são derivados de plantas”, afirmou.
“Cabe à pesquisa estudar esses compostos para oferecer produtos com qualidade, segurança e eficácia, que possam promover a saúde”, concluiu.