Novas terapias podem alcançar até 98% de sucesso nos tratamentos
Gabriela Nogueira Publicado em 27/10/2025, às 14h54
De acordo com Gilberto Laurino Almeida, supervisor de robótica no Departamento de Terapia Minimamente Invasiva da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a taxa de cura para pacientes diagnosticados com câncer de próstata pode alcançar até 98%. Este índice, no entanto, está intimamente ligado ao estágio da doença no momento do tratamento, bem como ao tipo específico de câncer.
O médico enfatiza que "a chance de cura é significativamente maior quando a doença é detectada em seu estágio inicial. Por outro lado, diagnósticos realizados em fases mais avançadas tendem a resultar em menores probabilidades de sucesso no tratamento".
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deverá registrar 71.730 novos casos de câncer de próstata em 2023. Este tipo de câncer ocupa a segunda posição entre as neoplasias mais frequentes entre homens, logo após os cânceres não cutâneos. Dados do Ministério da Saúde indicam que, neste ano, cerca de 17.093 óbitos foram atribuídos à doença, o que representa uma média alarmante de 47 mortes diárias.
Campanha Novembro Azul
No contexto da prevenção e conscientização, Almeida ressalta a importância dos homens adotarem hábitos saudáveis e buscarem atendimento médico regular. Essa mensagem será reforçada durante a Campanha Novembro Azul 2025, que será lançada pela SBU. "A saúde masculina não se resume apenas à próstata; envolve um conceito abrangente de bem-estar. Para prolongar a vida, os homens devem priorizar seus cuidados pessoais", afirmou.
O especialista ainda destacou que a falta de acompanhamento médico frequente por parte dos homens contrasta com a realidade das mulheres em relação às consultas ginecológicas. A campanha visa incentivar os homens a procurarem um urologista, enfatizando que um diagnóstico precoce pode ser determinante na cura do câncer de próstata.
Durante as atividades relacionadas à campanha deste ano, a SBU realizará um mutirão de atendimentos em Florianópolis (SC) no dia 12, coincidente com o 40º Congresso Brasileiro de Urologia, programado para acontecer entre os dias 15 e 18 do mesmo mês. O objetivo é oferecer avaliações gratuitas e direcionar pacientes com suspeitas para biópsias e tratamentos adequados.
Almeida explica que entre 85% e 90% dos casos de câncer de próstata são esporádicos, sem relação familiar direta. Ele reforça que consultas anuais ao urologista são essenciais para evitar diagnósticos tardios: "A detecção precoce pode levar à cura na maioria dos casos".
Avanços na Tecnologia Médica
A cirurgia robótica tem se tornado o método preferido entre os urologistas para remoção de tumores prostáticos. Almeida celebrou a decisão recente do Ministério da Saúde em incorporar a prostatectomia radical assistida por robô no Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com câncer clinicamente avançado. Contudo, ele alertou sobre os desafios logísticos associados: "Ainda não há robôs suficientes disponíveis nas instituições do SUS, e o acesso à tecnologia pode levar tempo".
Ainda segundo Almeida, muitos hospitais não têm condições financeiras para adquirir as plataformas robóticas necessárias. Isso gera uma lacuna significativa entre a implementação da nova tecnologia e sua realidade prática nos hospitais brasileiros.
Diferente da cirurgia endoscópica, onde instrumentos são introduzidos pela uretra para raspagem da próstata sem presença de câncer, a abordagem robótica é utilizada especificamente para tumores localizados e sem metástase. Almeida reafirma que pacientes submetidos a esse tipo de cirurgia possuem altas taxas de cura quando tratados precocemente.