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Câncer de intestino pode superar 90% de sobrevida quando descoberto no início

Sangue nas fezes, mudanças persistentes no funcionamento intestinal, anemia e perda de peso estão entre os sinais de alerta de uma doença que deve registrar quase 54 mil novos casos no Brasil em 2026.

Sangue nas fezes e alterações persistentes no funcionamento intestinal estão entre os sinais que precisam ser investigados - Imagem: Reprodução
Sangue nas fezes e alterações persistentes no funcionamento intestinal estão entre os sinais que precisam ser investigados - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Silva Publicado em 22/07/2026, às 14h06


O câncer de intestino, que pode ser assintomático em suas fases iniciais, tem maior chance de tratamento eficaz quando diagnosticado precocemente, com uma taxa de sobrevida de 91,3% em cinco anos para casos localizados. A taxa de sobrevida diminui drasticamente conforme a doença avança, caindo para 16,9% em casos metastáticos.

O Brasil deve registrar cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal em 2026, tornando-se o segundo tipo mais comum entre homens e mulheres, atrás do câncer de próstata e mama, respectivamente. Globalmente, a doença afetou 1,9 milhão de pessoas em 2022, sendo a segunda maior causa de morte por câncer no mundo.

O Ministério da Saúde implementou um novo protocolo de rastreamento que inclui o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) para detecção precoce da doença em pessoas de 50 a 75 anos. A orientação é que indivíduos com sintomas busquem avaliação médica imediatamente, independentemente da idade, para garantir um diagnóstico precoce e aumentar as chances de tratamento bem-sucedido.

O câncer de intestino pode permanecer silencioso durante parte de seu desenvolvimento, mas apresenta chances significativamente maiores de tratamento bem-sucedido quando é identificado antes de se espalhar para outros órgãos.

Dados do programa SEER, ligado ao Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, apontam uma sobrevida relativa em cinco anos de 91,3% entre pacientes diagnosticados quando o tumor ainda está restrito ao local de origem. A taxa diminui para 75,2% quando a doença alcança estruturas ou linfonodos próximos e para 16,9% nos casos em que já existem metástases.

A sobrevida relativa em cinco anos não representa uma garantia individual de cura. O indicador compara a sobrevivência de pessoas com a doença com a da população geral e pode variar conforme idade, estado de saúde, características do tumor, resposta ao tratamento e acesso à assistência médica. Ainda assim, os números mostram como o estágio do diagnóstico interfere diretamente no prognóstico.

Quase 54 mil casos são esperados no Brasil

O Instituto Nacional de Câncer estima 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto no Brasil em 2026. A projeção inclui 26.270 diagnósticos entre homens e 27.540 entre mulheres.

Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, o câncer colorretal aparece como o segundo mais frequente tanto no público masculino, atrás apenas do câncer de próstata, quanto no feminino, depois do câncer de mama.

Em todo o mundo, aproximadamente 1,9 milhão de pessoas foram diagnosticadas com a doença em 2022 e mais de 900 mil morreram. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o câncer colorretal é a segunda principal causa de mortes por câncer no planeta.

A doença surge principalmente no cólon, conhecido como intestino grosso, ou no reto. Muitos tumores começam como pólipos, alterações que crescem na parede interna do intestino. Nem todo pólipo se transforma em câncer, mas a identificação e a retirada dessas lesões podem impedir que algumas evoluam para uma formação maligna.

Sinais podem aparecer no banheiro

O sangue nas fezes está entre os sinais de alerta mais conhecidos, mas não é o único. Mudanças persistentes no funcionamento intestinal, como períodos de diarreia ou prisão de ventre que não eram comuns, também precisam ser investigadas.

Outros sintomas incluem dor, cólicas ou desconforto abdominal, fraqueza, anemia, perda de peso sem causa aparente, fezes muito finas, sensação de evacuação incompleta, aumento do volume abdominal e presença de massa palpável no abdômen.

Essas manifestações também podem ocorrer em condições benignas, como hemorroidas, doenças inflamatórias intestinais, verminoses e síndrome do intestino irritável. Por isso, apresentar um sintoma não significa necessariamente ter câncer. A orientação é procurar atendimento quando a alteração persistir, piorar ou estiver acompanhada de sangramento, anemia ou emagrecimento.

A associação entre sangue nas fezes e hemorroidas não deve ser feita sem avaliação profissional. Mesmo pacientes que já tiveram o problema anteriormente podem precisar de exames para descartar outras causas do sangramento.

Exame de fezes passa a integrar protocolo do SUS

Em maio de 2026, o Ministério da Saúde anunciou um novo protocolo nacional de rastreamento do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde. O Teste Imunoquímico Fecal, conhecido como FIT, passou a ser o exame de referência para homens e mulheres sem sintomas, entre 50 e 75 anos.

O exame identifica pequenas quantidades de sangue humano nas fezes que não são visíveis a olho nu. A coleta pode ser realizada em casa, não exige preparo intestinal nem dieta restritiva e utiliza apenas uma amostra. Segundo o Ministério da Saúde, o teste apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.

Um resultado positivo no FIT não confirma a presença de câncer. Ele indica que a pessoa precisa realizar uma investigação complementar, geralmente por colonoscopia.

A colonoscopia permite visualizar diretamente o interior do cólon e do reto, coletar material para biópsia e retirar pólipos durante o próprio procedimento. Essa possibilidade faz com que o exame tenha importância não apenas para o diagnóstico, mas também para a prevenção de parte dos tumores.

Pessoas com sintomas não devem esperar a idade prevista para o rastreamento. A investigação diagnóstica precisa ser iniciada sempre que houver sinais suspeitos, independentemente da faixa etária.

Também podem necessitar de acompanhamento mais precoce ou individualizado as pessoas com histórico familiar de câncer colorretal, síndromes hereditárias, pólipos anteriores, doença de Crohn, retocolite ulcerativa ou histórico pessoal de alguns tipos de câncer.

Hábitos influenciam o risco

O risco de câncer de intestino aumenta principalmente após os 50 anos, mas a doença também pode atingir adultos mais jovens. Histórico familiar, determinadas alterações genéticas e doenças inflamatórias intestinais estão entre os fatores que não podem ser modificados.

Outros fatores estão relacionados ao estilo de vida. Excesso de peso, sedentarismo, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e alimentação pobre em frutas, vegetais, cereais integrais e outros alimentos ricos em fibras elevam o risco.

O INCA também recomenda evitar carnes processadas, como presunto, salsicha, linguiça, bacon, salame e mortadela, além de limitar o consumo de carne vermelha a menos de 500 gramas do alimento cozido por semana.

Manter o peso corporal adequado, praticar atividades físicas, não fumar, limitar o consumo de álcool e priorizar alimentos in natura ou minimamente processados estão entre as principais medidas de prevenção.

Tratamento depende do estágio da doença

A confirmação do diagnóstico exige biópsia, realizada por meio da retirada de uma amostra da lesão para análise. Colonoscopia, exames de sangue, tomografia e ressonância magnética também podem ser solicitados para avaliar a localização e a extensão do tumor.

A cirurgia é o principal tratamento e pode ser utilizada isoladamente ou associada à quimioterapia e à radioterapia, dependendo do local, do tamanho e do estágio da doença. Em situações específicas, também podem ser empregadas terapias alvo e imunoterapia.

Quando a doença está restrita ao intestino, o tratamento tende a ser menos complexo e apresenta melhores resultados. Nos casos avançados, especialmente quando há comprometimento do fígado, dos pulmões ou de outros órgãos, as chances de cura diminuem e o cuidado pode exigir diferentes modalidades terapêuticas.

A principal orientação é não normalizar mudanças persistentes no funcionamento intestinal. Observar as fezes, conhecer o próprio padrão de evacuação e buscar avaliação diante de alterações pode antecipar o diagnóstico de uma doença que, descoberta no início, apresenta elevadas possibilidades de controle.


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