Saúde Pública

Butantan vai produzir imunoterapia contra o câncer e ampliar acesso no SUS

Parceria com farmacêutica internacional prevê produção nacional do pembrolizumabe, medicamento de alto custo que pode atender até 13 mil pacientes por ano na rede pública.

Parceria com o Instituto Butantan deve ampliar acesso a tratamento moderno contra o câncer no SUS - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 29/03/2026, às 12h07

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O Instituto Butantan anunciou uma nova etapa estratégica na saúde pública brasileira ao assumir a produção nacional de um dos medicamentos mais avançados no tratamento do câncer. A iniciativa, confirmada pelo Ministério da Saúde na última quinta-feira (26), permitirá ampliar o acesso à imunoterapia no Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo custos e dependência de importações.

O medicamento em questão é o pembrolizumabe, conhecido comercialmente como Keytruda, uma terapia inovadora que atua estimulando o sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater células cancerígenas. Diferente da quimioterapia tradicional, o tratamento apresenta menor toxicidade e maior precisão no combate à doença.

Atualmente, o fármaco já é utilizado no SUS para pacientes com melanoma metastático, considerado o tipo mais agressivo de câncer de pele. Com a produção nacional, a expectativa do governo é ampliar o uso para outros tipos de tumores, como câncer de mama, pulmão, esôfago e colo do útero, que ainda estão em avaliação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

A produção será viabilizada por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), envolvendo transferência de tecnologia da farmacêutica multinacional MSD para o Butantan. O processo deve ocorrer de forma gradual ao longo de até dez anos, até que o Brasil tenha autonomia completa na fabricação do medicamento.

Hoje, o alto custo do tratamento é um dos principais entraves ao acesso. Na rede privada, cada frasco do medicamento pode chegar a cerca de R$ 27 mil, o que limita o uso e leva muitos pacientes a recorrerem à Justiça para obter o tratamento.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 1,7 mil pacientes são atendidos anualmente com o medicamento no SUS, com gasto aproximado de R$ 400 milhões. Com a ampliação das indicações, esse número pode saltar para até 13 mil pessoas por ano.

Além da redução de custos, a produção nacional também traz ganhos estratégicos para o país, como maior segurança no abastecimento, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento do complexo industrial da saúde. A medida faz parte de uma política mais ampla que busca nacionalizar até 70% dos insumos utilizados pelo SUS na próxima década.

Reconhecido como um dos principais centros de pesquisa biomédica do país, o Instituto Butantan já desempenha papel central na produção de vacinas e soros no Brasil, e agora amplia sua atuação também no campo da oncologia.

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