QUEDA

Brasil registra queda nos casos de malária no primeiro trimestre de 2025

Com 43 mortes registradas, o Brasil busca erradicar a malária e ampliar o acesso a tratamentos eficazes até 2026

Uso de novas tecnologias e medicamentos inovadores, como a tafenoquina, promete melhorar o tratamento da malária no Brasil - Imagem: Reprodução / Freepik

William Oliveira Publicado em 25/04/2025, às 13h23

O Brasil apresentou uma queda expressiva de 26,8% nos casos de malária nos três primeiros meses deste ano, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (25) pelo Ministério da Saúde, coincidentemente no Dia Mundial da Malária. Foram registrados 25.473 casos no período, contra 34.807 no mesmo intervalo de 2023.

A mortalidade também apresentou redução significativa: houve 43 mortes no primeiro trimestre deste ano, comparadas a 63 no ano passado, o que representa um declínio de 27%.

O levantamento mostrou diminuição de casos em três das cinco áreas especiais de vigilância. Nas regiões de garimpo, a redução foi de 27,5%, enquanto nas áreas de assentamento, foi de 11%.

A análise do Ministério da Saúde reforça a importância da separação por regiões para o monitoramento da doença, já que a malária afeta com mais intensidade populações em situação de vulnerabilidade, influenciadas por fatores sociais e geográficos.

Amazônia concentra a maior parte dos casos

Cerca de 99% dos casos continuam concentrados na região amazônica, que abrange estados como Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Durante evento realizado na Academia Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reafirmou o compromisso do país com a erradicação da malária e destacou o papel de novas tecnologias no enfrentamento à doença. Entre elas, estão os testes rápidos e o uso da tafenoquina, um medicamento considerado inovador.

Padilha afirmou: “Treinamos quase 3 mil profissionais, tratamos mais de 7 mil pessoas, e a meta é ampliar o acesso em todo o país até 2026”.

A tafenoquina é indicada para casos de malária causados pelo Plasmodium vivax, responsável por mais de 80% das infecções em 2024. Por ser administrada em dose única, o tratamento reduz tanto a gravidade quanto os óbitos associados à doença. O medicamento já está disponível em 49 municípios de seis estados e nove Distritos Sanitários Indígenas (DSEI).

A previsão é que o remédio seja implantado em maio na região extra-amazônica e, em junho, em áreas específicas do Mato Grosso. Além disso, uma versão pediátrica está em avaliação pela Conitec, com recomendação preliminar positiva. A proposta será submetida à consulta pública antes de retornar para análise final.

O ministro também chamou atenção para os casos fora da Amazônia, que, embora menos numerosos, apresentam maior taxa de letalidade. Para enfrentar esse desafio, o Ministério da Saúde planeja implantar um sistema específico de vigilância para estados não amazônicos, com alertas e ações estratégicas voltadas a essas regiões.

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