Imunizante poderá integrar o SUS e promete ampliar acesso com produção nacional
Letícia Sales Publicado em 05/05/2026, às 13h33
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o Instituto Butantan a fabricar a vacina contra a chikungunya, chamada Butantan-Chik. A decisão marca um avanço na produção nacional de imunizantes e abre caminho para ampliar a oferta no Sistema Único de Saúde.
Com a autorização, o instituto passa a ser oficialmente responsável pela formulação e envase da vacina no país. O imunizante é indicado para pessoas entre 18 e 59 anos expostas ao vírus.
Produção nacional e expectativa de maior acesso
Até então, a vacina era produzida por uma farmacêutica internacional. Agora, com a fabricação no Brasil, a expectativa é reduzir custos e ampliar o acesso da população.
“Mais um marco importante para o Instituto Butantan e para a saúde da população. Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança”, afirmou o diretor da instituição, Esper Kallás.
Eficácia e segurança comprovadas
O imunizante já havia sido aprovado em 2025 e passou por testes clínicos com cerca de 4 mil voluntários. Os resultados, publicados na revista The Lancet, indicaram que 98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos contra o vírus.
Segundo os estudos, a vacina apresentou bom perfil de segurança, com efeitos adversos leves e moderados, como dor de cabeça, febre e fadiga.
Aplicação no SUS e cenário da doença
Desde fevereiro de 2026, a vacina vem sendo aplicada de forma piloto em regiões com alta incidência da doença. Além do Brasil, o imunizante já foi aprovado em países da Europa, Canadá e Reino Unido.
Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a chikungunya provoca febre alta e dores intensas nas articulações, podendo deixar sequelas por meses ou até anos.
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde, a doença registrou cerca de 500 mil casos no mundo em 2025. No Brasil, foram mais de 127 mil notificações e 125 mortes, segundo o Ministério da Saúde.
A produção nacional da vacina é vista como um passo importante no enfrentamento da doença e na redução dos impactos na saúde pública.