Anvisa apreende medicamentos falsificados

Agência Nacional de Vigilância Sanitária apreende lotes falsificados de Mounjaro e botox e amplia fiscalização

Medida inclui proibição de venda e uso; agência também suspende produtos irregulares e determina recolhimentos

Anvisa orienta consumidores a interromper uso de medicamentos apreendidos e a comprar apenas em estabelecimentos regularizados - Imagem: Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Letícia Sales Publicado em 23/02/2026, às 11h17

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de lotes falsificados do medicamento Mounjaro e de toxina botulínica, conhecida como botox, após identificar irregularidades durante ações de fiscalização. A decisão foi publicada na última sexta-feira (20/2) e inclui a proibição de armazenamento, comercialização, importação, distribuição e uso dos produtos envolvidos.

No caso do Mounjaro, utilizado no tratamento do diabetes tipo 2, a agência informou que unidades do lote D838838 apresentavam diferenças em relação ao produto original. A fabricante Eli Lilly comunicou que o rótulo tinha impressão de baixa qualidade e inconsistências visuais, o que levantou suspeita de falsificação.

Já em relação à toxina botulínica, a farmacêutica AbbVie declarou desconhecer o lote C7936C3 e afirmou que as informações de fabricação e validade não correspondiam ao item legítimo.

Outros produtos sob restrição

A operação também resultou na apreensão de um lote de tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro — identificado como L61373, importado sem autorização sanitária e com origem não comprovada.

Entre as medidas adicionais, a Anvisa suspendeu a propaganda de produtos à base de cannabis da empresa Prati Donaduzzi, após constatar divulgação em redes sociais e no site da fabricante em desacordo com normas sanitárias.

Implantes hormonais manipulados com a substância nestorone também foram proibidos, sob o argumento de ausência de avaliação adequada quanto à segurança e eficácia.

Outro caso que chamou atenção foi o recolhimento imediato de um lote de furosemida injetável após a identificação de partícula de vidro em uma das unidades, situação considerada de risco ao paciente.

Além disso, todos os medicamentos manipulados pela empresa Bios Farmacêutica, com validade até 26 de janeiro de 2026, foram suspensos e recolhidos. A decisão ocorreu após a identificação de falhas estruturais nas instalações, problemas no sistema de ar, no controle ambiental e na rastreabilidade dos produtos.

Orientação ao consumidor

A Anvisa orienta que consumidores interrompam imediatamente o uso de qualquer item envolvido nas medidas e busquem orientação médica ou farmacêutica em caso de dúvidas. A agência reforça que a compra de medicamentos deve ser feita apenas em estabelecimentos regularizados e com produtos devidamente registrados.

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