Aprenda como estruturar sua redação e quais cuidados tomar para garantir uma boa nota no ENEM com essas dicas práticas
Reinaldo Polito Publicado em 26/10/2025, às 12h01
O coração já está acelerado. Uns não dormem, outros rezam, e há até quem esteja tranquilo demais. Mas é normal. O ENEM mexe com todo mundo. Entre todas as provas, a redação é a que normalmente mais assusta. O curioso é que as regras são simples e bem explicadas. Mesmo assim, todos os anos muitos candidatos escorregam por descuido.
Para evitar tropeços e garantir uma excelente nota, Rachel Polito e eu escrevemos o livro Superdicas para uma redação nota 1000 no ENEM. Nessa obra reunimos tudo o que alunos bem-sucedidos aplicaram para afastar essa mesma tensão que você talvez esteja sentindo agora. A partir dessas lições, separamos aqui os cuidados de última hora para garantir um bom resultado.
1 – Escreva em prosa
Nada de versos, rimas ou formato de poema. O texto precisa fluir naturalmente, como uma conversa organizada, sem ritmo de poesia.
2 – Use a linguagem formal
Evite gírias, abreviações e expressões de conversa muito informal. A redação pede lógica, clareza e sequência de ideias. Pense num texto que o avaliador leria com prazer.
3 – Respeite o tamanho
O texto deve ter entre 8 e 30 linhas. Abaixo desse limite, é zero. Acima, as linhas extras não contam. Se quiser dar título, pode, mas ele entra na contagem.
4 – Capriche na letra
Pode ser cursiva ou de forma, desde que legível. Se o avaliador não entender, não tem milagre. Use caneta preta de corpo transparente, como manda o edital. Peça a uma pessoa, de preferência mais de uma, que leia suas redações de treino para ver se entende sua letra.
5 – Leia com calma a proposta e os textos motivadores
Entenda bem o que está sendo pedido. Escrever bonito fora do tema é perder tempo e nota.
6 – Aproveite os textos motivadores, sem se prender a eles
Eles servem para provocar reflexão, não para limitar. Use-os como ponto de partida, não como muleta.
7 – Jamais copie trechos
As linhas copiadas não são contadas. Inspire-se, mas escreva com suas palavras. Não caia na tentação e use a cabeça. Às vezes o texto está tão bem redigido que alguns não resistem e copiam. Só vale o que for seu.
8 – Decida logo sua tese
Antes de começar, pense: qual é o meu ponto de vista? O que quero defender? E quais argumentos sustentam minha ideia? Ou seja, primeiro a locomotiva, depois os vagões.
9 – Organize as ideias
Anote rapidamente tudo o que vier à cabeça e depois organize uma ordem lógica. Isso evita repetições e atropelos. Cada parágrafo deve levar naturalmente ao próximo. Ideias soltas confundem o leitor e derrubam pontos.
10 – Escolha bons argumentos
Use exemplos reais, fatos históricos, dados ou leis. Só cuidado para não exagerar. O que vale é a coerência, não a quantidade.
11 – Divida o texto em partes
Uma boa estrutura é: introdução, dois parágrafos de desenvolvimento e conclusão. Esse formato está alinhado com a banca e facilita a clareza.
12 – Feche o texto onde começou
Garanta que a conclusão converse com a introdução. Essa interdependência mostra domínio da estrutura e reforça sua tese.
13 – Introduções que funcionam
Você pode começar com uma citação, um fato histórico, um acontecimento atual ou até uma ideia contrária à sua, para depois rebater. Mas nada de enrolar. Mostre logo do que vai tratar.
14 – Mostre o que aprendeu
Use referências de jornais, livros, filmes ou debates, desde que encaixem bem no tema. Isso mostra repertório e maturidade. Cuidado, entretanto, para não jogar uma informação que fuja da tese só para parecer culto. O avaliador percebe.
15 – Uma citação bem usada ajuda
Se lembrar de um pensador ou de um dado conhecido, use, com aspas. Mesmo que não lembre das palavras exatas, diga o essencial, sem aspas. Mas com moderação. Uma ou duas já bastam.
16 – Seja criativo e original
Fuja das frases batidas e dos clichês de cursinho. Mostre que pensou por conta própria. A banca reconhece e valoriza quando o texto é genuíno.
17 – Não fuja do tema, nem um milímetro
Tudo o que você escreve precisa girar em torno da proposta. Seja obstinado neste ponto. Fugir, mesmo que parcialmente, pode zerar a nota.
18 – Amarre bem as ideias
Use conectivos que deem ritmo: “além disso”, “por isso”, “mesmo assim”, “com isso”. Evite repetições e transições engessadas.
19 – Apresente uma proposta de intervenção
Na conclusão, diga quem faz, o que faz, como faz e com que objetivo.
Exemplo: O Ministério da Educação pode promover campanhas em escolas, com apoio de psicólogos e professores, para estimular a leitura entre os jovens.
Simples, concreto e com respeito aos direitos humanos.
20 – Revise antes de entregar
Separe alguns minutos para reler. Veja se há erros de português, se a letra está clara, se a proposta está completa e se sua tese aparece do início ao fim.
E ponto. Foi assim que muitos alunos chegaram à nota máxima: com calma, atenção e clareza. Nada de fórmulas mágicas. Só foco, treino e a confiança de quem sabe o que está fazendo. Boa prova! Siga pelo Instagram: @polito