Pré-candidato à Presidência, Romeu Zema intensifica críticas ao Supremo, cita ministros nominalmente e defende mudanças estruturais na Corte.
Redação Publicado em 24/04/2026, às 09h49
O pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, subiu o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e classificou a Corte como um “Supremo balcão de negócios”, em meio ao aumento da tensão entre setores políticos e o Judiciário.
Em entrevista, Zema acusou ministros do STF de atuarem de forma inadequada e associou membros da Corte a interesses privados, citando diretamente Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Segundo ele, ambos deveriam ser investigados e até sofrer processos de impeachment, caso comprovadas irregularidades.
As declarações ocorrem em um momento de embate institucional mais amplo, no qual decisões do Supremo vêm sendo alvo de críticas por parte de lideranças políticas e setores da sociedade. Para Zema, a Corte, que em outros momentos atuou como “moderadora”, teria passado a contribuir para a instabilidade política.
“Quem antes era bombeiro agora virou incendiário”, afirmou o pré-candidato, ao atribuir ao STF parte da responsabilidade por crises recentes no país.
Além das críticas, Zema também apresentou propostas para reformular o funcionamento do Supremo. Entre elas, estão a definição de idade mínima de 60 anos para indicação de ministros, limitação do tempo de permanência no cargo e o fim das decisões monocráticas — quando apenas um ministro decide sozinho sobre temas relevantes.
O político ainda criticou indicações feitas por governos anteriores, incluindo nomeações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, argumentando que critérios políticos teriam prevalecido sobre aspectos técnicos.
As falas também ocorrem dias após o ministro Gilmar Mendes determinar a inclusão de Zema em investigações relacionadas à disseminação de conteúdos considerados enganosos nas redes sociais, o que ampliou o embate entre o pré-candidato e integrantes da Corte.
Especialistas avaliam que o episódio reforça a escalada de tensão entre Executivo, Legislativo e Judiciário em um cenário pré-eleitoral, no qual o discurso contra instituições pode ganhar espaço no debate público.