Ex-ministra afirmou que embate envolvendo medidas comerciais norte-americanas tem motivação política e eleitoral
Lívia Gennari Publicado em 06/06/2026, às 18h20 - Atualizado às 19h11
Sem mencionar nomes diretamente, a ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet (PSB) criticou neste sábado (6) a atuação da família Bolsonaro diante da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo a senadora, o impasse foi motivado por interesses políticos e eleitorais.
Em publicação nas redes sociais, a senadora criticou a postura de integrantes do grupo político diante das recentes medidas adotadas pelo governo norte-americano contra produtos brasileiros.
Sem citar nomes diretamente, Tebet afirmou que a atual tensão entre os dois países foi “fabricada” por interesses particulares e classificou a atuação da família Bolsonaro como prejudicial ao Brasil. A declaração ocorre em meio à repercussão da proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros e da investigação aberta pelas autoridades comerciais norte-americanas
Na publicação, a ex-ministra alertou para os possíveis impactos das medidas norte-americanas sobre o Pix e seus reflexos na economia brasileira. Segundo Tebet, eventuais restrições poderiam afetar empresas, instituições financeiras e as relações comerciais do país. Ela afirmou que os efeitos não se limitariam ao sistema financeiro, mas alcançariam empregos e o custo de vida da população, com reflexos nos preços de produtos e no comércio local.
Tebet também criticou o que chamou de falta de preocupação com os efeitos das disputas políticas sobre a população. De acordo com a senadora, embora a família Bolsonaro costume defender pautas relacionadas à proteção das famílias, estaria desconsiderando as consequências econômicas e sociais que o embate pode gerar para milhões de brasileiros.
A ex-ministra ainda disse que a crise teve a participação direta de um "pré-candidato à Presidência da República", em referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), embora não tenha citado o parlamentar nominalmente.
Em outro trecho, Tebet afirmou que a divergência política não pode ultrapassar os limites democráticos.
O que estamos assistindo é mais um capítulo de uma disputa política que ultrapassa TODOS os limites da divergência democrática. Uma coisa é fazer oposição, outra coisa é agir contra os interesses do próprio país", afirmou.
A posição da ex-ministra está alinhada ao discurso adotado pelo governo federal. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que ações de aliados da família Bolsonaro junto a representantes do governo norte-americano ajudaram a intensificar a pressão comercial dos Estados Unidos sobre o Brasil.
O tema segue no centro do debate político nacional, especialmente diante dos possíveis impactos econômicos das medidas discutidas pelos Estados Unidos. O governo brasileiro tem defendido a manutenção do diálogo diplomático para evitar prejuízos ao comércio e às relações bilaterais entre os dois países.