Golpe

STF inicia julgamento sobre tentativa de golpe durante governo Bolsonaro

Acusados enfrentam cinco charges, incluindo organização criminosa e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito

Acusados enfrentam cinco charges, incluindo organização criminosa e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito - Imagem: Reprodução / Marcelo Casal Jr / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 05/05/2025, às 17h57

Na terça-feira (6), o Supremo Tribunal Federal (STF) vai dar início ao julgamento de mais um segmento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), relacionada a uma suposta tentativa de golpe durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os cinco integrantes da Primeira Turma do STF - Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux - estão encarregados de decidir sobre a aceitação da parte da denúncia que envolve sete indivíduos pertencentes ao que foi classificado como núcleo 4 do golpe.

A segmentação da denúncia, realizada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, indica que os membros desse núcleo foram responsáveis por estratégias de desinformação. O objetivo dessas ações seria desacreditar as urnas eletrônicas e o processo eleitoral brasileiro, além de pressionar membros das Forças Armadas a se unirem ao plano golpista.

Um dos pontos críticos levantados é a possível utilização das estruturas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Palácio do Planalto para promover instabilidade social e intimidar opositores do complô.

Os acusados enfrentam cinco charges, incluindo:

Os investigados no núcleo 4 incluem:

De acordo com o regimento interno do STF, cabe às turmas do tribunal deliberar sobre ações penais. O relator deste caso, ministro Alexandre de Moraes, faz parte da Primeira Turma, que será responsável pelo julgamento das acusações.

Caso a maioria dos ministros decida aceitar a denúncia, os acusados serão formalmente tornados réus e passarão a responder a uma ação penal no STF. Nessa etapa, as defesas terão acesso ampliado aos materiais utilizados pela acusação e poderão solicitar a produção de novas provas, além de indicar testemunhas.

No dia 25 de março, a Primeira Turma havia aceitado por unanimidade um trecho da denúncia relacionado ao núcleo 1, resultando na imputação das responsabilidades a oito denunciados, incluindo Bolsonaro e generais da reserva que ocuparam cargos altos durante seu governo.

Em 22 de abril, o colegiado também aceitou unanimemente as acusações contra seis indivíduos vinculados ao núcleo 2, que são considerados prestadores de assessoramento jurídico e intelectual para o plano golpista.

A fragmentação da denúncia em seis núcleos foi aprovada pelos ministros da Primeira Turma como um mecanismo para agilizar o trâmite do caso que investiga um total de 34 pessoas envolvidas nas tentativas golpistas.

PGR jair bolsonaro STF golpe ALEXANDRE DE MORAES LUIZ FUX Flávio Dino Cristiano Zanin Cármen Lúcia

Leia também