Nomeação feita pela nova presidência do instituto reacende questionamentos sobre a condução do escândalo dos descontos associativos e o papel de servidores que participaram da autorização dos convênios investigados.
Ana Beatriz Publicado em 12/06/2026, às 08h56
Uma das primeiras decisões administrativas da nova presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ana Cristina Silveira, voltou a colocar o escândalo dos descontos associativos no centro do debate nacional. A promoção da servidora Michelle Manieri para o cargo de coordenadora geral de atendimento do órgão gerou repercussão por envolver uma integrante que participou da análise técnica de acordos posteriormente ligados a descontos considerados irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.
A nomeação foi publicada no dia 30 de abril e concede à servidora a responsabilidade sobre a gestão das agências do INSS em todo o país, a coordenação de mutirões de atendimento e a administração do orçamento operacional do setor. A função está vinculada à Diretoria de Tecnologia da Informação e possui papel estratégico na estrutura do instituto.
Michelle Manieri coordenava o grupo de trabalho responsável pela fiscalização dos acordos para desconto de mensalidades associativas diretamente nos benefícios previdenciários. Durante esse período, emitiu pareceres favoráveis para que o INSS celebrasse convênios com entidades como a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) e a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB), organizações posteriormente citadas nas investigações sobre descontos não autorizados.
Outro nome relacionado às decisões técnicas foi o ex-servidor Geovani Batista Spiecker, citado em investigações da Polícia Federal e apontado como participante das análises que permitiram a formalização dos acordos.
O escândalo dos descontos associativos ganhou dimensão nacional após operações conduzidas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União identificarem a existência de cobranças realizadas sem autorização expressa de milhares de aposentados e pensionistas. As investigações apontam que associações e entidades utilizaram acordos firmados com o INSS para efetuar descontos diretamente na folha de pagamento dos beneficiários.
Segundo reportagem divulgada nesta semana, Michelle Manieri havia perdido um cargo de confiança após a revelação do caso em 2023, mas agora retorna à estrutura de comando do instituto em uma função de maior abrangência administrativa. Em resposta ao episódio, o INSS afirmou que não existem penalidades vigentes nem procedimentos acusatórios em andamento contra a servidora.
A nova nomeação amplia a pressão sobre a gestão do órgão e pode alimentar novos debates políticos e institucionais sobre a responsabilização de agentes públicos envolvidos nas etapas de aprovação dos convênios investigados. Enquanto isso, as apurações sobre o esquema dos descontos associativos continuam em andamento, com investigações que buscam identificar responsabilidades administrativas, civis e criminais.