Conflito no Oriente Médio pressiona preços dos combustíveis e Senacon abre investigação

Alta na gasolina e diesel preocupa autoridades, apesar da Petrobras não ter reajustado seus valores

Alta de combustíveis acende alerta do Governo - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 10/03/2026, às 17h59

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) encaminhou nesta terça-feira (10), um pedido formal ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para apurar possíveis irregularidades nos aumentos recentes dos preços dos combustíveis no país. A medida acontece mesmo sem alterações anunciadas pela Petrobras, principal fornecedora nacional.

Nos últimos dias, sindicatos e associações do setor reportaram aumentos ou expectativa de alta para gasolina e diesel em diferentes estados, associados à valorização internacional do petróleo, que disparou após o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Em ofício, a Senacon destacou que "a Petrobras, maior produtora nacional de petróleo e responsável pelo abastecimento da maior parte do mercado interno, não anunciou até agora qualquer reajuste nos preços de suas refinarias". O órgão solicita que o Cade avalie se há indícios de práticas que possam configurar infração à ordem econômica.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre a última semana de fevereiro e o último sábado, o preço médio da gasolina subiu de R$ 6,28 para R$ 6,30, enquanto o diesel passou de R$ 6,03 para R$ 6,08. Em algumas regiões, as elevações chegam a R$ 0,30 por litro na gasolina e R$ 0,80 por litro no diesel.

A escalada do preço do petróleo, que ultrapassou US$ 100 por barril, maior valor em quatro anos, está ligada à intensificação da guerra no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para exportação da commodity. O cenário global aumenta a preocupação com restrições na oferta de petróleo e produtos derivados.

No Brasil, porém, os combustíveis ainda estão cotados abaixo do valor internacional, graças à política da Petrobras, que suaviza oscilações externas no curto prazo e evita repasses imediatos aos consumidores. O preço final, que inclui impostos, biocombustíveis obrigatórios e custos de transporte e revenda, é definido oficialmente pela estatal.

O último ajuste da gasolina nas refinarias ocorreu em janeiro de 2026, com queda de R$ 0,14 por litro, enquanto o diesel teve redução de R$ 0,16 por litro em maio de 2025.

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