Presidente afirma que avanço das apostas preocupa pelo impacto social e diz que decisão depende do Congresso Nacional do Brasil
Erika Osti Publicado em 08/04/2026, às 16h23
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (8) que pode defender o fim das casas de apostas no Brasil e fez duras críticas ao modelo político e eleitoral do país. Em entrevista ao portal ICL, o petista disse que o crescimento das chamadas bets tem provocado impactos sociais e levantou dúvidas sobre a utilidade do setor.
“Se depender de mim, a gente fecha as bets”, declarou. Lula ressaltou, no entanto, que qualquer decisão depende do Congresso Nacional do Brasil. Segundo ele, o tema está em discussão dentro do governo há semanas, diante da percepção de que o avanço das apostas pode estar associado ao endividamento da população.
O presidente afirmou que o vício em jogos deve ser tratado como questão de saúde pública e citou consequências graves para famílias. "Tem gente que perde casa, carro e até se mata. Não podemos continuar com essa jogatina desenfreada no país”, disse.
Lula também contestou o argumento de que o setor é essencial para o financiamento do esporte, especialmente do futebol. Segundo ele, a modalidade existiu por décadas sem depender das apostas, o que reforça a necessidade de reavaliar o modelo atual.
Na mesma entrevista, o presidente criticou o funcionamento do sistema político, com foco no financiamento de campanhas. Para Lula, o atual modelo de fundo eleitoral contribuiu para distorções e concentrou poder nas direções partidárias. "Os partidos não podem continuar sendo assim. Isso levou à promiscuidade política”, afirmou.
Ele comparou dirigentes partidários a gestores financeiros, ao dizer que o controle sobre os recursos transformou essas lideranças em figuras com grande poder de decisão sobre candidaturas. O presidente também destacou o alto custo das campanhas como um dos principais entraves à renovação política. "Uma eleição hoje está muito cara. Sem dinheiro, não se elege”, disse.
Outro ponto criticado foi o chamado orçamento secreto. Lula afirmou que a ampliação do controle do Legislativo sobre os recursos públicos compromete a governabilidade. Segundo ele, atualmente cerca de 60% do orçamento estaria sob influência do Congresso, o que, na avaliação do presidente, exige revisão. “Não quero um Estado subordinado a isso”, declarou. O presidente ainda defendeu o fim de benefícios considerados excessivos dentro do setor público, que classificou como “penduricalhos”.
Luiz Inácio Lula da Silva também defendeu mudanças em outras áreas e disse que o governo pretende avançar com propostas como o fim da escala 6x1. Segundo ele, um projeto de lei sobre o tema deve ser enviado ao Congresso nos próximos dias, com a previsão de redução da jornada sem corte de salários. "A pessoa precisa de mais descanso, mais lazer. O avanço tecnológico tem que significar mais qualidade de vida”, afirmou.
O presidente também abordou o cenário político de olho nas eleições de 2026. Sem confirmar candidatura, Lula disse que o ambiente eleitoral deve ser marcado por disputa intensa e voltou a criticar adversários, acusando-os de defender interesses externos e de tentar “vender o Brasil”, ao citar riquezas estratégicas como minerais.
Apesar do tom crítico, Lula afirmou que respeitará o resultado das urnas. “Pode ser eleito o meu maior inimigo. Se for democraticamente, estarei lá para passar a faixa. Temos que ter civilidade”, disse, em referência indireta à ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro na cerimônia de posse em 2023.