CRISE NO JUDICIÁRIO

Relatório aponta voos ligados a empresas de Vorcaro; Moraes nega qualquer viagem

Levantamento com dados da aviação civil indica uso de jatos executivos por ministro do STF; defesa classifica informações como “fantasiosas”

Moraes nega uso de jatos ligados a Vorcaro após divulgação de dados sobre voos executivos - Imagem: Andressa Anholete / AFP

Redação Publicado em 01/04/2026, às 10h13

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O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes negou ter utilizado aeronaves vinculadas a empresas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, após reportagem apontar que ele e sua esposa teriam realizado voos em jatos executivos relacionados ao empresário.

De acordo com dados obtidos junto à Agência Nacional de Aviação Civil e ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), cruzamentos de informações indicariam que o ministro e a advogada Viviane Barci de Moraes acessaram o terminal executivo do Aeroporto de Brasília em datas coincidentes com decolagens de aeronaves ligadas à empresa Prime You, da qual Vorcaro foi sócio até setembro de 2025.

Segundo a apuração, os deslocamentos teriam ocorrido entre maio e outubro do ano passado, totalizando ao menos oito viagens — sete em aeronaves associadas à empresa e uma em avião com participação do empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

Em resposta, o gabinete de Moraes classificou a informação como “absolutamente falsa” e afirmou que o ministro “jamais viajou em aeronaves de Daniel Vorcaro ou em sua companhia”. A nota também afirma que o conteúdo divulgado se baseia em “ilações”.

Já o escritório Barci de Moraes, ligado à esposa do ministro, informou que contratou serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, incluindo a Prime You, mas ressaltou que Vorcaro e Zettel não estavam presentes nos voos.

O caso ganha ainda mais repercussão diante do contexto das investigações envolvendo o Banco Master e seus desdobramentos no sistema financeiro e no meio político. O escritório da advogada Viviane Barci chegou a prestar serviços ao banco em contrato firmado em 2024, no valor aproximado de R$ 129 milhões.

A revelação adiciona novos elementos ao cenário de tensão entre instituições e amplia o debate público sobre transparência, relações privadas e possíveis conflitos de interesse envolvendo autoridades de alto escalão.

Até o momento, não há confirmação oficial de irregularidades, e o caso segue baseado em dados cruzados e versões divergentes entre as partes envolvidas.

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