Dados enviados ao Senado indicam transferências de quase meio milhão de reais, mas presidente do instituto afirma que valores nunca foram recebidos
Redação Publicado em 10/04/2026, às 09h48
Novos desdobramentos envolvendo o Banco Master colocam sob investigação a relação entre a instituição financeira e organizações ligadas a figuras políticas. Dados da Receita Federal do Brasil indicam que o banco declarou repasses de R$ 457,2 mil ao Instituto Terra Firme, ONG presidida pela ex-ministra Flávia Peres.
As informações foram encaminhadas à CPI do Crime Organizado no Senado e revelam movimentações financeiras registradas nos últimos dois anos. No entanto, Flávia Peres nega qualquer vínculo financeiro com o banco.
“Não há qualquer relação financeira que envolva repasses, dependência econômica ou subordinação entre as instituições”, afirmou a ex-ministra em nota.
O caso ganha maior complexidade devido à ligação familiar e empresarial com o setor financeiro. Flávia é casada com o empresário Augusto Lima, que já ocupou o cargo de CEO do Banco Master e foi sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, figura central nas investigações sobre a instituição.
Além dos valores declarados à ONG, os dados da Receita apontam que o banco transferiu cerca de R$ 264 milhões, entre 2022 e 2025, à empresa Terra Firme da Bahia Ltda, ligada a Augusto Lima. A companhia atua como correspondente bancária e é considerada peça-chave na operação do Credcesta, modelo de crédito consignado voltado a servidores públicos.
Fundado em 2023, o Instituto Terra Firme tem como proposta atuar no combate à pobreza e às desigualdades sociais. O lançamento da entidade contou com a presença de autoridades políticas e empresariais, reforçando sua relevância institucional.
Apesar disso, a divergência entre os dados oficiais e a versão apresentada pela ONG levanta questionamentos sobre a natureza das operações e a eventual existência de inconsistências nos registros.
O caso ocorre em meio a uma série de investigações envolvendo o Banco Master, que já é alvo de apurações sobre supostas fraudes financeiras, manipulação de ativos e irregularidades em operações de crédito.
Especialistas avaliam que a confirmação ou não dos repasses poderá ter impacto significativo tanto nas investigações em curso quanto na responsabilização de eventuais envolvidos.