Deputado do PL afirmou que estará “pronto” para responsabilizar a esquerda caso a redução da jornada provoque aumento de preços e cortes de empregos; fala gerou forte reação nas redes.
Redação Publicado em 28/05/2026, às 09h33
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a provocar polêmica ao comentar a aprovação da PEC que acaba gradualmente com a escala 6×1 no Brasil. Durante sessão na Câmara dos Deputados, o parlamentar afirmou que um eventual cenário de demissões em massa e aumento de preços seria um momento “maravilhoso” para responsabilizar adversários políticos.
A declaração aconteceu após a Câmara aprovar, em dois turnos, a proposta que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, além de garantir dois dias de descanso remunerado por semana.
“Quando tiver demissão em massa. Quando aumentar o preço dos produtos. Quando o empreendedor não conseguir mais e tiver que demitir a pessoa para contratar outra. Aí, meus amigos, esse dia vai ser maravilhoso”, declarou Nikolas no plenário.
Na sequência, o deputado afirmou que pretende usar um eventual impacto negativo da medida como argumento político contra parlamentares de esquerda.
“Quando acontecer, eu estarei pronto para falar: os responsáveis por isso são vocês”, completou.
A fala repercutiu rapidamente nas redes sociais e ampliou as críticas já direcionadas ao parlamentar nos últimos dias. Internautas acusaram Nikolas de tratar com deboche uma pauta considerada histórica para trabalhadores submetidos a longas jornadas.
Muitos usuários também relembraram que o deputado já havia sido criticado anteriormente por votar a favor de propostas ligadas ao aumento da jornada de trabalho em outras discussões no Congresso. Em meio à repercussão, adversários passaram a acusá-lo de incoerência ao afirmar publicamente que “não é contra o trabalhador”, enquanto critica mudanças na escala.
Durante o discurso, Nikolas afirmou que o debate sobre a jornada deveria focar produtividade e crescimento econômico, e não apenas redução de horas trabalhadas. Segundo ele, o risco seria o aumento do desemprego e da informalidade.
Apesar das críticas do parlamentar, a PEC foi aprovada com ampla maioria na Câmara. No segundo turno, foram 461 votos favoráveis e apenas 19 contrários. O texto agora segue para análise no Senado.
A proposta prevê uma transição gradual. Dois meses após a promulgação, trabalhadores passarão a ter dois dias de descanso remunerado por semana e jornada máxima de 42 horas. Após 14 meses, o limite será reduzido para 40 horas semanais, sem redução salarial.
A aprovação da PEC mobilizou sindicatos, movimentos sociais e entidades patronais. Enquanto centrais sindicais celebraram o avanço como uma conquista histórica, representantes do setor empresarial demonstraram preocupação com possíveis impactos econômicos.
Nas redes, a declaração de Nikolas acabou transformando o nome do deputado em um dos assuntos políticos mais comentados do país.