Justiça

Processo de extradição de Carla Zambelli tem novo adiamento

Corte de Apelação de Roma suspende mais uma vez a decisão após pedido da defesa e marca nova data em fevereiro

Defesa pede mais tempo para avaliar documentos e Justiça italiana mantém a ex-deputada Carla Zambelli presa. - Imagem: Reprodução/Câmara dos Deputados.

Erika Osti Publicado em 20/01/2026, às 15h29

A Justiça da Itália voltou a adiar a decisão sobre a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. A Corte de Apelação de Roma decidiu nesta terça (20), transferir a análise do caso para fevereiro, mantendo a parlamentar presa enquanto o pedido brasileiro segue em avaliação. O novo adiamento ocorre após a defesa alegar necessidade de mais tempo para examinar documentos enviados pelas autoridades brasileiras, entre eles informações sobre o cumprimento da pena e as condições do sistema prisional no país.

A audiência mais recente não resultou em uma definição justamente porque os juízes entenderam que ainda havia pendências a serem analisadas. Segundo as informações divulgadas, a Corte considerou insuficiente o tempo para avaliar todo o material apresentado pelo Brasil e acolheu o pedido dos advogados de Zambelli para aprofundar a análise. Com isso, o processo, que já havia sido adiado outras vezes, ficou para a próxima fase, prevista para fevereiro.

O pedido de extradição foi formalizado pelo governo brasileiro após Zambelli ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal. Entre as condenações está a participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, além de outras ações que resultaram em penas que somam mais de dez anos de prisão. Após a decisão do STF, a ex-deputada deixou o Brasil e acabou presa em território italiano, onde responde ao processo de extradição.

Durante a tramitação, a Justiça italiana solicitou garantias formais ao Estado brasileiro, incluindo informações sobre onde Zambelli ficaria detida caso seja extraditada e se teria seus direitos fundamentais respeitados. As autoridades brasileiras afirmaram que ela deverá cumprir pena em Brasília e encaminharam relatórios sobre o sistema penitenciário, o que passou a integrar o processo analisado pelos magistrados italianos.

A defesa da ex-parlamentar sustenta que há perseguição política nas condenações impostas no Brasil e argumenta que o caso envolve disputas de natureza política, tese que vem sendo rebatida pelo governo brasileiro. O Ministério Público da Itália já se manifestou favoravelmente à extradição, mas a decisão final cabe à Corte de Apelação de Roma.

Enquanto não há um desfecho, Carla Zambelli permanece presa na Itália e o caso segue sem data definitiva para ser concluído. O novo adiamento reforça a complexidade do processo e mantém indefinido o retorno da ex-deputada ao Brasil, em um episódio que envolve direito internacional, política e forte repercussão pública.

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