Discurso na Celac reforça soberania econômica, cooperação e combate ao crime organizado
Letícia Sales Publicado em 22/03/2026, às 15h46
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que países da América Latina e do Caribe assumam controle sobre todas as etapas das cadeias produtivas de minerais críticos existentes na região. A declaração foi feita em discurso apresentado pelo chanceler Mauro Vieira durante a 10ª Cúpula da Celac, realizada no sábado (21), em Bogotá.
Segundo Lula, a exploração estratégica desses recursos pode representar uma mudança histórica para a região. “Temos a oportunidade de reescrever a história da região, sem repetir o erro de permitir que outras partes do mundo enriqueçam às nossas custas. A adoção de um marco regional, com parâmetros comuns mínimos, aumentaria nosso poder de barganha junto a investidores”, declarou o presidente.
Ele destacou que a América Latina concentra a segunda maior reserva mundial de minerais críticos e terras raras, insumos essenciais para tecnologias como chips, baterias e painéis solares. Nesse contexto, defendeu a participação dos países em toda a cadeia produtiva — da extração ao produto final, incluindo beneficiamento e reciclagem.
Integração como estratégia
O fortalecimento da integração regional foi outro ponto central do discurso. Lula alertou que a desarticulação entre os países aumenta a vulnerabilidade diante de pressões externas. “A América Latina e o Caribe não cabem no quintal de ninguém”, afirmou.
O presidente também ressaltou o papel da Celac como espaço de articulação política. “Quando caminhamos juntos, somos capazes de sobreviver às turbulências da economia e da geopolítica mundial. A Celac representa o maior esforço já feito para afirmar a identidade própria da América Latina e do Caribe no cenário internacional”, acrescentou.
Lula ainda defendeu a ampliação do comércio entre países da região, a integração de cadeias produtivas e o fortalecimento de blocos como o Mercosul, apontando a cooperação como caminho para ampliar a soberania econômica.
Relações internacionais e desigualdade
Ao comentar a presidência da Celac exercida pela Colômbia, o presidente destacou a importância do diálogo com parceiros como China, União Europeia e países africanos. “Esses países e blocos veem na América Latina e no Caribe um potencial que nós mesmos não sabemos reconhecer e aproveitar. É um paradoxo que uma região com tantos recursos ainda padeça de tantos males”, disse.
Ele também chamou atenção para as desigualdades persistentes. “Somos potências em energia, biodiversidade e agricultura. Mas o que predomina neste quadrante do planeta são sociedades profundamente desiguais e tecnologicamente dependentes. O que nos falta para romper esse ciclo de subdesenvolvimento é liderança política”, afirmou.
Infraestrutura e segurança
No campo da infraestrutura, Lula defendeu a criação de corredores logísticos que conectem o Atlântico ao Pacífico. “Precisamos de rotas por terra, água e ar, do Atlântico ao Pacífico, por onde produtos possam circular e cidadãos possam transitar”, afirmou.
Ele também destacou a importância da integração energética. “Em um mundo com bloqueios marítimos e cortes no abastecimento de insumos, essa integração é ainda mais importante”, disse.
O presidente ainda abordou o combate ao crime organizado, defendendo maior cooperação regional.
Esse problema não é só latino-americano, é global. É fundamental conter a fraude, o fluxo de armas que vem de países ricos, combater a lavagem de dinheiro realizada em paraísos fiscais e regular o uso de criptomoedas. Ações pontuais geram resultados momentâneos. Apenas o fortalecimento das nossas instituições garante soluções duradouras”, afirmou.
Por fim, citou o Projeto de Lei Antifacção como medida para enfrentar organizações criminosas. “Nosso objetivo é melhorar a articulação entre as polícias e reforçar o papel da Polícia Federal no combate a organizações criminosas e milícias privadas com atuação interestadual e internacional”, concluiu.