Levantamento revela frequência intensa de voos do ex-banqueiro à capital federal, reforçando conexões estratégicas em meio a investigações.
Redação Publicado em 08/04/2026, às 10h00
Um levantamento detalhado sobre os deslocamentos aéreos do empresário Daniel Vorcaro revela um padrão que chama atenção: seus jatinhos pousaram em Brasília ao menos 55 vezes entre 2023 e 2025 — uma média de uma visita a cada 17 dias.
Os dados, obtidos a partir do sistema de rastreamento aéreo ADS-B, mostram que a capital federal foi o quarto destino mais frequente das aeronaves ligadas ao ex-controlador do Banco Master, ficando atrás apenas de São Paulo, Belo Horizonte e Miami.
O ritmo das viagens aumentou significativamente ao longo do tempo. Em 2023, foram apenas quatro pousos na capital. Já em 2024, esse número saltou para 36 — o equivalente a uma aterrissagem a cada 10 dias. No total analisado, a média consolidada aponta visitas frequentes ao centro do poder político do país.
A movimentação reforça a importância de Brasília na estratégia do empresário, especialmente em um período em que o banco esteve envolvido em operações financeiras complexas e, posteriormente, em investigações que colocaram suas atividades sob escrutínio.
Na capital federal, Vorcaro mantém uma residência no Lago Sul, área nobre da cidade. O local, segundo apurações, foi cenário de encontros com autoridades, incluindo o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Os dados também mostram padrões curiosos: a maioria das viagens ocorreu às terças e quartas-feiras, dias tradicionalmente mais intensos na agenda política de Brasília. Juntos, esses dois dias concentram cerca de 73% dos pousos registrados.
As aeronaves utilizadas incluem modelos de alto padrão, como o Dassault Falcon 7X e o Falcon 2000, além de jatos da linha Gulfstream. Ao todo, os aviões associados ao empresário realizaram voos para 358 destinos diferentes no período analisado.
Especialistas em governança e transparência destacam que, embora deslocamentos frequentes não sejam ilegais, a intensidade e o contexto das viagens podem levantar questionamentos, especialmente quando associadas a decisões estratégicas e relações institucionais.
O caso amplia o debate sobre a relação entre grandes agentes do mercado financeiro e o poder público, em meio a um cenário de crescente vigilância sobre práticas empresariais no Brasil.