Valdemar Costa Neto confirmou que o partido não lançará candidatura própria ao Palácio da Abolição e vai compor aliança com o tucano para enfrentar Elmano de Freitas, em meio a uma crise interna envolvendo Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e lideranças locais da legenda.
Ana Beatriz Silva Publicado em 11/07/2026, às 12h40
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou que o partido vai apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará nas eleições de 2026. Com a decisão, a legenda abandona a possibilidade de lançar um nome próprio ao Palácio da Abolição e passa a integrar uma articulação oposicionista contra o atual governador Elmano de Freitas (PT), que buscará a reeleição. A informação foi publicada pelo R7 nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026.
A decisão encerra meses de indefinição dentro do PL cearense e consolida uma mudança relevante no tabuleiro político do estado. Em vez de tentar construir uma candidatura própria, a direção nacional da sigla optou por apostar em uma composição com Ciro, ex-governador do Ceará, ex-ministro e nome de forte presença no cenário político local e nacional. Segundo o R7, a estratégia foi defendida por lideranças estaduais do partido, especialmente pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE), como forma de unificar a oposição ao PT no estado.
O movimento ocorre logo após uma crise pública dentro do partido. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher, manifestou oposição à aliança com Ciro Gomes e defendeu que a sigla tivesse candidatura própria no Ceará. Ela argumentou que o apoio ao tucano seria incompatível com a trajetória recente do bolsonarismo, lembrando críticas feitas por Ciro ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a seus aliados em disputas anteriores.
A divergência expôs uma disputa de estratégia dentro do PL. De um lado, Michelle Bolsonaro defendia uma posição mais ideológica e contrária a Ciro logo no primeiro turno. De outro, dirigentes da legenda e lideranças locais sustentavam que a prioridade deveria ser a construção de uma frente competitiva para disputar o governo estadual contra o PT. A CNN Brasil já havia informado, em 25 de junho, que a cúpula do PL não pretendia recuar do apoio a Ciro, mesmo depois das críticas públicas de Michelle.
A crise também envolveu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que passou a ser associado ao grupo favorável à manutenção da aliança no Ceará. O R7 informou que Flávio participaria, em Fortaleza, do lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes ao Senado, pai de André Fernandes, em um ato visto como demonstração de alinhamento com a direção local do PL.
Além da disputa pelo governo, a definição da chapa ao Senado virou outro ponto de tensão. Michelle Bolsonaro apoia a vereadora Priscila Costa (PL), ligada ao PL Mulher, enquanto André Fernandes trabalha pela pré-candidatura de seu pai, Alcides Fernandes. O UOL informou, em 26 de junho, que uma carta de Jair Bolsonaro era aguardada pelo PL cearense para tentar pacificar a disputa interna em torno da vaga ao Senado e reduzir a tensão sobre a aliança com Ciro.
Ciro Gomes oficializou sua pré-candidatura ao governo do Ceará pelo PSDB em maio de 2026, durante evento em Fortaleza. Na ocasião, o ex-ministro concentrou o discurso principalmente na segurança pública e no enfrentamento às organizações criminosas no estado. O Congresso em Foco registrou que o ato reuniu aliados do PSDB, do União Brasil e do PL, incluindo André Fernandes e Alcides Fernandes.
Durante o lançamento da pré-candidatura, Ciro também indicou que pretende convidar Roberto Cláudio (União Brasil), ex-prefeito de Fortaleza, para compor a chapa como vice-governador. O Poder360 também registrou que o evento contou com a presença de Tasso Jereissati (PSDB-CE) e manifestações de apoio de lideranças do União Brasil e do PL.
A disputa no Ceará tende a ser uma das mais observadas do Nordeste em 2026. Elmano de Freitas foi eleito governador em 2022 ainda no primeiro turno, com mais da metade dos votos válidos, segundo a CNN Brasil. Agora, o petista buscará a reeleição diante de uma oposição que tenta se reorganizar em torno de Ciro Gomes e de uma aliança que reúne setores historicamente distantes no campo político nacional.
A confirmação do apoio do PL a Ciro representa, ao mesmo tempo, uma aposta eleitoral e um teste de coesão interna para a legenda. A direção nacional escolheu priorizar a competitividade no estado, mas a resistência de Michelle Bolsonaro mostra que a costura ainda pode gerar desgastes entre diferentes alas do partido. Nos bastidores, a questão central passa a ser se a aliança terá força suficiente para unificar o eleitorado de oposição sem ampliar as fissuras internas no PL.