Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, os fundamentos que levaram à prisão do general permanecem válidos
William Oliveira Publicado em 21/12/2024, às 08h00
A recente manifestação em torno da situação do general Braga Netto surgiu em resposta ao pedido de sua defesa para que a prisão do militar fosse substituída por medidas alternativas menos severas. Os advogados argumentaram que as alegações de envolvimento de Braga Netto em uma suposta conspiração golpista durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro referem-se a eventos passados, sem a devida contemporaneidade para justificar a manutenção da prisão preventiva.
Por outro lado, o procurador-geral Paulo Gonet, da Procuradoria-Geral da República (PGR), reiterou que os fundamentos que levaram à prisão do general permanecem válidos. Segundo Gonet, medidas cautelares não seriam suficientes para garantir a ordem pública e a integridade da instrução criminal, além de assegurar a aplicação das leis pertinentes ao caso.
"As tentativas do investigado de embaraçar a investigação em curso denotam a imprescindibilidade da medida extrema, dado que somente a segregação do agravante poderá garantir a cessação da prática de obstrução. O quadro fático denota, assim, risco de continuidade delitiva por parte do investigado, o que traz à espécie o elemento de contemporaneidade", justificou o procurador.
No último sábado (14), Braga Netto foi preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito relacionado à tentativa de golpe, conduzido no Supremo Tribunal Federal (STF).
As investigações da Polícia Federal (PF) apontam que o general da reserva, que foi vice na chapa de Bolsonaro durante as eleições de 2022, estaria tentando obstruir a apuração sobre a tentativa de golpe que visava impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A PF também identificou Braga Netto como um dos principais suspeitos na articulação desse plano golpista e apontou tentativas de acesso a informações sigilosas relacionadas à delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Após sua prisão, a defesa do general contestou as acusações, negando qualquer envolvimento em tentativas de obstrução das investigações em curso.