Investigação da Operação Compliance Zero aponta repasses mensais, elaboração de emenda por assessoria do banco e possíveis vantagens financeiras ao senador
Letícia Sales Publicado em 07/05/2026, às 09h42
A Polícia Federal identificou indícios de que o senador Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais ligados a interesses do Banco Master e usado o mandato parlamentar para beneficiar a instituição financeira no Congresso Nacional.
As informações fazem parte da quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado. A ofensiva ocorre por determinação do Supremo Tribunal Federal, em decisão assinada pelo ministro André Mendonça.
Segundo as investigações, conversas interceptadas entre o empresário Daniel Vorcaro e o operador financeiro Felipe Vorcaro detalham o funcionamento da chamada “parceria BRGD/CNLF”. De acordo com a PF, a empresa BRGD S.A., ligada à família Vorcaro, fazia transferências para a CNLF Empreendimentos, apontada como veículo patrimonial do senador.
Em uma das mensagens analisadas pelos investigadores, Felipe Vorcaro menciona dificuldades para manter os pagamentos devido ao “aumento dos pagamentos” ao “parceiro brgd”. Meses depois, Daniel Vorcaro cobrou o atraso de repasses destinados a “ciro”. Na conversa, Felipe questiona: “Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”, trecho que, segundo a PF, indica a existência de pagamentos mensais recorrentes.
A investigação também aponta que os repasses teriam como contrapartida a atuação política do parlamentar. O foco do inquérito é a emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024. A proposta aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Conforme a PF, o texto da emenda teria sido elaborado pela própria assessoria do Banco Master e entregue ao senador. Após a apresentação da proposta, Daniel Vorcaro afirmou que ela “saiu exatamente como mandei”, enquanto integrantes ligados ao banco avaliavam que a medida poderia “sextuplicar” os negócios da instituição.
Além dos supostos pagamentos, a Polícia Federal investiga operações societárias consideradas suspeitas. Entre elas, a compra de 30% da Green Investimentos S.A. pela CNLF Empreendimentos por R$ 1 milhão. A empresa é administrada formalmente por Raimundo Neto, irmão do senador.
A decisão do STF também determinou o monitoramento dos investigados e a suspensão de empresas ligadas ao caso. Até o momento, as defesas dos envolvidos não haviam se pronunciado oficialmente.