Política

PF mira empresa com filhas e ex-mulher de Ciro Nogueira por repasses ligados ao Banco Master

PF aponta repasses de até R$ 500 mil mensais para empresa ligada à família do senador, enquanto operação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e vantagens indevidas envolvendo o Banco Master.

Ciro Nogueira virou alvo da PF em nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostos repasses ligados ao Banco Master - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 08/05/2026, às 09h21

Ler resumo da notícia

A Polícia Federal ampliou nesta quinta-feira (7) o cerco sobre o senador Ciro Nogueira no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de vantagens indevidas e repasses financeiros envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo as investigações, a empresa CNFL Empreendimentos Imobiliários, sediada no Piauí e ligada à família do senador, teria recebido pagamentos recorrentes da BRGD S.A., companhia apontada pela PF como vinculada ao grupo de Vorcaro. Os investigadores afirmam que os repasses mensais variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.

A operação desta quinta-feira teve como alvo direto Ciro Nogueira e seu irmão, Raimundo Nogueira. Ambos foram submetidos a mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do STF André Mendonça. Além disso, o Supremo determinou que os irmãos não mantenham contato entre si durante o andamento das investigações.

Raimundo Nogueira, administrador da CNFL Empreendimentos Imobiliários, também passou a usar tornozeleira eletrônica. De acordo com a Polícia Federal, as medidas cautelares foram impostas para evitar interferência nas apurações e possível destruição de provas, já que ele teria acesso a documentos considerados relevantes para o inquérito.

Embora não tenham sido alvo da operação, as filhas de Ciro Nogueira, Eliane Portella Nogueira Lima e Maria Eduarda Portella Nogueira Lazarte, além da ex-mulher do senador, Iracema Maria Portella Nunes Nogueira Lima, aparecem no quadro societário da empresa investigada.

Dados da Junta Comercial do Piauí apontam que Maria Eduarda e Eliane possuem, cada uma, 47% das cotas da companhia. Iracema detém 5% da empresa, enquanto Ciro Nogueira aparece com 1% de participação. Eliane também figura como sócia-administradora da CNFL.

As investigações da PF indicam que a BRGD S.A. funcionava como principal origem dos recursos movimentados no esquema investigado. A corporação afirma que a estrutura utilizava empresas e operações societárias para ocultar a origem dos pagamentos destinados ao grupo ligado ao senador.

A operação ainda apura uma negociação envolvendo a compra de 30% das ações da Green Investimentos S.A., outra empresa ligada ao banqueiro. Segundo a PF, a participação teria sido adquirida pela CNFL por R$ 1 milhão, apesar de o valor de mercado estimado ser de aproximadamente R$ 13 milhões, o que levantou suspeitas de vantagem econômica indevida.

Relatórios da Polícia Federal também mencionam supostos benefícios pessoais recebidos por Ciro Nogueira, incluindo viagens internacionais, hospedagens em hotéis de luxo, voos privados e pagamento de despesas pessoais. Os investigadores apontam ainda que o senador teria atuado politicamente em favor de interesses ligados ao Banco Master dentro do Congresso Nacional.

A Operação Compliance Zero investiga uma série de suspeitas envolvendo o Banco Master, incluindo lavagem de dinheiro, corrupção, gestão fraudulenta e organização criminosa. O caso se tornou um dos maiores escândalos financeiros recentes do país e já atingiu empresários, operadores financeiros e agentes públicos.

Até o momento, as defesas de Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro negam irregularidades.

lavagem de dinheiro corrupção CIRO NOGUEIRA Polícia Federal Banco Master Daniel vorcaro Operação Compliance Zero Escândalos financeiros Cnfl empreendimentos imobiliários Brgd s.a. Iracema maria portella nunes nogueira lima Eliane portella nogueira lima Raimundo nogueira Maria eduarda portella nogueira lazarte

Leia também