CONGRESSO NACIONAL

PEC proposta pelo PL é chamada de “escala 7×0” por Erika Hilton

Deputada do PSOL afirma que proposta da oposição abre caminho para jornadas sem descanso semanal garantido; autores da PEC dizem que objetivo é ampliar a liberdade de negociação entre patrões e empregados.

Erika Hilton criticou a PEC assinada por Flávio Bolsonaro e outros senadores da oposição, afirmando que a proposta pode abrir brechas para jornadas sem descanso semanal garantido. - Imagem: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

Redação Publicado em 01/06/2026, às 11h05

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A disputa em torno do futuro das relações de trabalho no Brasil ganhou um novo capítulo após a apresentação da PEC nº 12/2026, proposta assinada por 36 senadores da oposição, entre eles o senador Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho.

A proposta foi protocolada no Senado apenas um dia depois da aprovação, pela Câmara dos Deputados, da PEC que reduz a jornada semanal de trabalho e extingue a tradicional escala 6×1. O novo texto defendido pela oposição prevê que trabalhadores possam optar entre o regime tradicional previsto pela CLT ou um modelo flexível baseado em horas trabalhadas e negociado diretamente com o contratante.

A iniciativa provocou forte reação da deputada federal Erika Hilton, uma das principais defensoras da redução da jornada de trabalho no Congresso. Nas redes sociais, a parlamentar classificou a proposta como uma tentativa de criar uma "escala 7×0", expressão utilizada para sugerir que trabalhadores poderiam acabar atuando todos os dias da semana sem a garantia de descanso prevista atualmente na legislação trabalhista.

Segundo Erika, a PEC representa um enfraquecimento da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pode abrir espaço para acordos que reduzam proteções históricas dos trabalhadores.

Já os autores da proposta sustentam que a intenção é justamente ampliar a autonomia dos empregados. Na justificativa apresentada ao Senado, os parlamentares afirmam que a mudança permitiria ao trabalhador escolher a jornada mais adequada à sua realidade, conciliando melhor vida pessoal, renda e oportunidades profissionais.

A PEC argumenta ainda que modelos flexíveis são adotados em diferentes países e poderiam aumentar a produtividade e a liberdade contratual, sem obrigar ninguém a abandonar o regime tradicional da CLT.

O tema surge em meio ao intenso debate nacional sobre a reorganização da jornada de trabalho. Enquanto movimentos sindicais e setores da esquerda celebram o avanço da PEC que acaba com a escala 6×1, parlamentares conservadores e representantes do setor empresarial alertam para possíveis impactos econômicos, como aumento de custos para empresas e dificuldades de adaptação em determinados segmentos.

Agora, a PEC nº 12/2026 aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde deverá enfrentar um debate acalorado antes de qualquer avanço na tramitação.

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