A área alagada sofreu uma redução de 38% de 2018 até 2022
Gabriela Thier Publicado em 12/11/2024, às 18h09
No Dia Nacional do Pantanal, celebrado nesta terça-feira (12), ficou marcado por um aumento significativo nos focos de incêndio este ano, que devastaram este crucial bioma brasileiro, situado nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Um estudo divulgado pelo MapBiomas nesta data revela uma preocupante tendência de redução nas áreas alagadas do Pantanal ao longo das últimas décadas. Essa diminuição é atribuída à redução dos períodos de cheia e ao prolongamento das secas, fatores que intensificam a incidência de incêndios na maior planície alagável do planeta.
Conforme o levantamento do MapBiomas, que é uma rede colaborativa composta por universidades, ONGs e empresas de tecnologia focadas no monitoramento das transformações do uso da terra no Brasil, em 2022 a área alagada somava 3,3 milhões de hectares, o que representa um cenário 38% mais seco comparado a 2018, ano da última grande cheia que cobriu 5,4 milhões de hectares. Esta área já era consideravelmente menor que a registrada em 1988, quando a cheia atingiu 6,8 milhões de hectares, evidenciando uma queda de 22%.
Os dados analisados abrangem o período entre 1985 e 2023. Historicamente, as cheias no Pantanal ocorrem entre fevereiro e abril, enquanto as secas se estendem de julho a outubro. O relatório aponta que, em 2023, houve uma redução de 61% no volume de água em comparação à média histórica para o período.
Além disso, observa-se uma tendência de redução nas áreas alagadas por mais de três meses ao ano. Esse fenômeno não só diminui a extensão das áreas alagadas como também reduz o tempo em que essas áreas permanecem inundadas. Tal situação tem contribuído para a expansão das áreas de savana no Pantanal. Atualmente, cerca de 2,3 milhões de hectares são classificados como savana, dos quais aproximadamente 421 mil hectares são oriundos de locais que secaram.